O ministro das Relações Exteriores, check Celso Amorim, disse hoje que o Brasil pedirá que uma comissão da Organização dos Estados Americanos (OEA) investigue a violação de território equatoriano por parte de tropas colombianas e admitiu a gravidade de uma crise que “exige” uma “saída rápida”.
“Qualquer violação territorial é grave e deve ser condenada”, pois se trata de “uma infração que transmite insegurança a outros Estados”, disse Amorim em entrevista coletiva.
Ele se referia à entrada de tropas colombianas no Equador em uma operação na qual morreram o chefe rebelde “Raúl Reyes” e outros vinte membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Amorim disse que esse tipo de violação pode “ter circunstâncias que atenuem o fato”, e citou entre elas uma “perseguição imediata “, que neste caso o Equador “nega” que tenha ocorrido.
O ministro informou que precisou interromper uma viagem que fazia pela Ásia para retornar a Brasília e se colocar à frente da busca por uma saída para a crise e disse que entre domingo e hoje falou praticamente com todos os ministros de Exteriores sul-americanos.
No entanto, e apesar de não ter especificado as diferenças que existem, reconheceu que não há uma posição comum sobre qual pode ser a forma de resolver o conflito.
Segundo Amorim, uma saída poderia ser que a Colômbia reitere “de forma mais explícita” as desculpas que apresentou ao Equador pela incursão militar em seu território e que o fato seja investigado por uma comissão da OEA liderada por seu secretário geral, José Miguel Insulza.
A proposta será colocada pelo Brasil amanhã, na reunião que a Organização realizará em Washington para discutir o assunto.
Amorim afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou aos chefes de Estado do Equador, Rafael Correa, e da Colômbia, Álvaro Uribe, e explicou que ambos lhe manifestaram “seus pontos de vista” sobre o caso.
Ele indicou que Lula também falou hoje com a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, mas disse não dispor de informação sobre o que discutiram.
“A conversa era sobre assuntos bilaterais, mas certamente esta crise foi debatida”, ressaltou.
O ministro admitiu que a decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de deslocar tropas à fronteira do país com a Colômbia não ajuda a aplacar os ânimos, mas considerou que o assunto central da crise é, em uma fase inicial, resolver o caso entre Equador e Colômbia.
“Agora estamos empenhados em diminuir, em resolver, o conflito entre Equador e Colômbia”, mas a posição adotada pela Venezuela “deverá ser tratada”, indicou Amorim, que insistiu em que o primeiro passo é tentar aproximar Quito de Bogotá.
“O Brasil quer paz, integração e desenvolvimento”, destacou Amorim, que afirmou que tanto o Brasil como outras nações sul-americanas estão decididos a buscar uma rápida solução à crise.
No entanto, o ministro reconheceu que a situação “é grave”, mas se disse convencido de que não existem possibilidades de um conflito bélico.
“Não vejo ameaças”, afirmou Amorim, que disse que acabava de ser informado que o Equador decidiu romper relações diplomáticas com a Colômbia.
“O problema é complexo, mas é preciso trabalhar para reduzir as tensões”, destacou.