O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu hoje à comunidade internacional para que busque novas vias de diálogo com o Irã e assegurou que a imposição de sanções seria insuficiente para conter seus planos nucleares.
“Ainda há possibilidades de diálogo”, declarou o ministro a jornalistas, ao se mostrar contrário à aplicação de sanções sobre o Irã depois que este país anunciou ter iniciado o processo de enriquecimento de urânio a 20%.
Segundo Amorim, as sanções econômicas e políticas pedidas por Estados Unidos e França não teriam muito efeito, pois “o Irã é um país muito grande e com uma economia diversificada”.
O chanceler reiterou que o Brasil é “totalmente contrário” à fabricação de armas atômicas, mas também insistiu em que o Irã ou qualquer outro país “tem direito de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos”, como Teerã afirma que é o seu.
Amorim considerou que, apesar de Estados Unidos e França terem declarado que já não há como negociar com o Irã, ainda “existem caminhos para o diálogo”.
Na mesma linha, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que a comunidade internacional deve evitar cair em “radicalizações” e manter abertas as portas da negociação.
“O Brasil não é contra ninguém e tem como tradição tentar resolver as coisas conversando”, declarou.
Jobim minimizou o fato de que o Irã quer enriquecer urânio a 20% ao dizer que, entre outras coisas, isso “é necessário para a fabricação de determinados medicamentos”.
O Brasil ocupa atualmente um dos dez assentos rotativos do Conselho de Segurança das Nações Unidas, no qual EUA e França estudam a possibilidade de apresentar em março um pedido oficial de sanções econômicas e políticas contra o Irã.
Em novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em Brasília seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, quem pretende visitar em Teerã ainda em 2010.