O ministro das Relações Exteriores, treat Celso Amorim, condenou hoje a ocupação israelense dos territórios palestinos e a “grave condição humanitária” vivida na Faixa de Gaza durante a 2ª Reunião de Ministros das Relações Exteriores da América do Sul e dos Países Árabes (Aspa), em Buenos Aires.
Para Amorim, “a solução profunda dos problemas do Oriente Médio está em resolver a questão palestina”.
O conflito palestino-israelense foi um dos principais assuntos discutidos hoje no encontro, que reúne representantes de 34 países e termina nesta quinta-feira.
O encontro antecede a cúpula de chefes de Estado das duas regiões, que será realizada em Doha na segunda metade de 2008 e pretende ser um espaço para o diálogo entre lugares tão diferentes, mas com crescentes laços políticos, econômicos e culturais.
Apesar das muitas atitudes que tiveram hoje o objetivo de intensificar essas ligações, o principal tema da sessão foi o conflito palestino-israelense, que esteve na boca de todos os presentes com igual grau de preocupação.
Para o ministro das Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana, o principal compromisso dos presentes “deve ser sempre com a conquista e a manutenção da paz. Não é possível abordar esta questão sem mencionar a necessidade de dar passos significativos rumo à solução palestino-israelense”.
Taiana acrescentou que, ultimamente, “este drama que castiga a região por tanto tempo adquiriu contornos de profundo dramatismo na Faixa de Gaza”.
O ministro de Assuntos Exteriores saudita e titular da Liga Árabe, o príncipe Saud al-Faisal, afirmou que “não é lógico sempre culpar a parte mais fraca da equação, como o povo palestino, e deixar de lado o que Israel faz”.
Sobre o assunto, o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, considerou que “a chave” para resolver o conflito “é uma negociação séria e não de forma sumária, como ocorre agora”.
Moussa declarou que “o mundo árabe estendeu uma mão a Israel” para solucionar o conflito, mas que o Estado judeu “resiste e rejeita” toda iniciativa.
Para o secretário-geral, este conflito é “fonte de tensões no Oriente Médio” e pode “chegar a prejudicar a paz no mundo inteiro”, motivo pelo qual pediu para os países sul-americanos apoiarem “a causa palestina na ONU, para que Israel retroceda suas fronteiras aos limites de junho de 1967 e retire todas as suas colônias”.
“Saibam vocês que, na América do Sul, contam com uma comunidade de países amigos dispostos a cooperar para alcançar essa paz tão esperada”, assegurou Taiana.
Fontes diplomáticas sul-americanas consultadas pela Agência Efe disseram que a Declaração de Buenos Aires, a qual será emitida pelos participantes da Aspa ao fim da reunião, deve ter pareceres especiais sobre a situação palestina e de outros pontos em conflito, como Iraque, Líbano e a província sudanesa de Darfur.
Há a expectativa de que o documento também condene expressamente o terrorismo e a proliferação de armas nucleares, como foi exposto na Declaração de Brasília, emitida na primeira cúpula de chefes de Estado da Aspa, realizada na capital brasileira em maio de 2005.
Faisal disse que “o pensamento extremista prospera” entre povos “em condições de sofrimento, frustração e desespero”, acrescentando que isto deveria ser evitado. “As religiões não têm nada a ver, embora uma minoria tenha se desviado dessas religiões”, disse.
Amorim concordou com o ministro saudita no ponto de que o terrorismo germina a partir da pobreza, e falou que, se não há “dinheiro suficiente para combater a pobreza, há cooperação mútua”.
À parte do tenso panorama político no Oriente Médio, os representantes dos países presentes ao encontro da Aspa também defenderam a intensificação das relações econômicas entre as duas regiões.
O ministro de Assuntos Exteriores do Catar, Ahmed Bin Abdullah al-Mahmoud, disse que quer “a instauração de um mecanismo de exploração de possibilidades econômicas, para fortalecer a cooperação, especialmente quanto a comércio, turismo e investimentos, e que conduza a uma associação econômica concreta”.
Sobre este tema, Jorge Taiana disse que, embora o comércio e os investimentos entre as duas regiões tenham crescido nos últimos anos, “o potencial que pode ser desenvolvido ainda não foi alcançado”.
“Existem questões pendentes em matéria de barreiras comerciais para incentivar e aumentar uma maior integração econômica e comercial. É uma questão que merece toda atenção”, sustentou o ministro argentino.