Cidadãos americanos estão deixando o país em números recordes, em busca de regiões mais acessíveis e seguras, como Portugal e a República Checa. Segundo o Wall Street Journal, 2024 marcou o primeiro ano desde a Grande Depressão dos anos 1930 em que mais pessoas saíram dos Estados Unidos do que entraram. Estimativas da Brookings Institution apontam para cerca de 150 mil emigrantes no ano passado, com tendência de aumento em 2025.
Embora não haja estatísticas completas sobre imigração desde a administração de Dwight D. Eisenhower, dados de autorizações de residência, compras de imóveis, matrículas em universidades e outras informações de mais de 50 países indicam uma emigração sem precedentes. Analistas chamam o fenômeno de ‘Donald Dash’, com o fluxo intensificado durante o segundo mandato de Donald Trump. Fatores como o aumento do teletrabalho, o elevado custo de vida e o desejo por um estilo de vida diferente, especialmente na Europa, impulsionam essa tendência, que cresce há anos.
Estima-se que entre 4 milhões e 9 milhões de norte-americanos vivam fora dos EUA. No México, mais de 1,5 milhão residiam lá em 2022. No Canadá, cerca de 250 mil americanos vivem, excluindo duplas nacionalidades e fronteiriços. Na Europa, superam 1,5 milhão, com mais de 325 mil no Reino Unido. Em quase todos os 27 Estados-membros da União Europeia, o número de americanos que se mudam para viver e trabalhar está crescendo.
Em Portugal, o total de cidadãos americanos aumentou mais de cinco vezes desde a pandemia de covid-19. Na Espanha e nos Países Baixos, quase duplicou na última década, enquanto na República Checa mais que dobrou. No ano passado, mais americanos se mudaram para a Alemanha do que alemães para os EUA. Na Irlanda, o país acolheu duas vezes mais novos moradores americanos do que em 2024, em busca de qualidade de vida e proteção social.
As autoridades americanas registram aumento nos pedidos de renúncia à cidadania, que subiram quase 50% em 2024 em relação ao ano anterior, com expectativa de superação nesse ano. Em contrapartida, o interesse pela nacionalidade britânica é o maior desde 2004, e os pedidos de cidadania irlandesa atingiram nível recorde.
Motivações incluem razões econômicas, preferência por estilos de vida diferentes e desilusão com crimes violentos, custo de vida e turbulência política nos EUA. A reeleição de Trump foi fator para muitos, enquanto outros apoiaram o presidente atual. Uma pesquisa do Instituto Gallup em 2025 revelou que 40% das mulheres americanas entre 15 e 44 anos desejam viver permanentemente em outros países. Na Europa, atraem o sistema social, cuidados de saúde e educação. ‘Os salários são mais elevados nos Estados Unidos, mas há mais qualidade de vida na Europa’, resumiu Chris Ford, de 41 anos, que se mudou para Berlim com a família.
A chegada de americanos, especialmente nômades digitais, gera impactos negativos nos destinos. Em Bali, Colômbia e Tailândia, pressionou o mercado imobiliário, levando a protestos contra a gentrificação. Em Portugal e Espanha, discute-se como proteger habitantes locais. Cerca de 58% dos compradores estrangeiros de imóveis em Portugal são americanos, e os preços duplicaram em alguns bairros históricos de Lisboa nos últimos cinco anos. Em Barcelona, grafites como ‘Nômades digitais, vão para casa!’ refletem o descontentamento.