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Americanos e russos não conseguem superar divergências sobre escudo anti-míssil

Arquivo Geral

12/10/2007 0h00

A Rússia e os Estados Unidos não conseguiram hoje superar suas divergências em relação ao sistema de Defesa Nacional contra Mísseis americano, here ao eventual desdobramento de foguetes de curto e médio alcance por parte da Rússia e à questão nuclear iraniana.

“Os EUA apresentaram hoje sua proposta sobre o escudo antimíssil, cheapest voltada a buscar soluções comuns”, medicine disse o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, após a reunião que manteve hoje com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e os ministros de Defesa da Rússia, Anatoli Serdiukov, e dos EUA, Robert Gates.

Segundo Lavrov, as autoridades russas “estudarão” a proposta americana, sobre a qual não forneceu detalhes.

No entanto, o projeto não parece agradar Moscou, que não hesitou em demonstrar isto a Washington. “Por enquanto, persistem as divergências em relação aos planos dos EUA de instalar na Europa componentes do sistema antimíssil”, disse Lavrov.

Rice também admitiu que “não foi possível chegar a um acordo sobre a defesa antimísseis”.

A proposta, no entanto, indica que a Rússia poderá exercer algum controle sobre os componentes que os Estados Unidos desejam instalar na Polônia e na República Tcheca, contra a vontade de Moscou. “Gostaríamos de responder às perguntas que causam preocupação à Rússia. Acredito que nossas novas idéias removerão pelo menos parte desta preocupação”, afirmou Rice.

Para ela, agora “chegou o momento dos especialistas”, que, disse Lavrov, darão continuidade aos contatos. No entanto, para a Rússia a questão não reside no controle, mas no posicionamento das armas antimísseis junto a suas fronteiras. “Não podemos aceitar os componentes da defesa antimíssil que devem ser instalados na Europa e que possuem um sério potencial anti-russo”, ressaltou Serdiukov.

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, admitiu que, “embora em um futuro próximo os componentes que devem ser instalados na Polônia e na República Tcheca não representem ameaça à Rússia, no decorrer de um certo tempo poderiam passar a fazê-lo”.

“Por isso, estamos dispostos a elaborar medidas conjuntas e a convencer a parte russa de que isso não ocorrerá”, acrescentou.

A opção russa, afirmou Lavrov, consiste em “interromper o desdobramento na Europa do terceiro bloco da defesa antimíssil enquanto prosseguirem as negociações”.

Ele advertiu que a Rússia adotará as medidas necessárias para resistir a esta eventual ameaça.

“Preferiríamos evitar semelhante desenvolvimento dos fatos”, disse o ministro, em tom ameaçador, fazendo referência ao eventual abandono, por parte da Rússia, do Tratado de Moscou de 1987, pelo qual os dois países destruíram seus foguetes de curto e médio alcance e renunciaram a armas semelhantes.

A Rússia ameaçou abandonar o tratado e desdobrar estas armas em resposta à instalação de componentes do sistema antimíssil americano na Polônia e na República Tcheca.

No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, desvinculou hoje o tema do escudo antimísseis, afirmando que a Rússia não poderá continuar cumprindo seus compromissos em relação aos mísseis de curto e médio alcance se o tratado não se tornar universal e se outras potências não aderirem ao pacto.

Os dois países também discordam quanto à proliferação de armas nucleares, lembrou Rice, e principalmente em relação ao programa nuclear do Irã.

“Concordamos em que os especialistas se concentrem em uma definição comum das ameaças”, ressaltou o chefe da diplomacia russa.

A Rússia insiste que, enquanto não houver provas de que o Irã pretende criar sua bomba atômica, “o problema não existe”.

Rice aproveitou para voltar a fazer ameaças ao Irã, país contra o qual “poderia ser aplicado” o capítulo 7 da Carta da ONU, caso se negue a cooperar com a comunidade internacional, conforme a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Isto significa que aqueles que têm negócios com o Irã correm certo risco”, ressaltou.

Lavrov respondeu imediatamente, afirmando que “as sanções unilaterais e os simultâneos apelos em favor do uso da força militar minam os esforços coletivos para resolver o problema iraniano”.

Apesar disso, as nações chegaram a um acordo sobre o tratado Start-1, que limita as armas estratégicas ofensivas e que expira em 2009. As partes anunciaram a intenção de elaborar, até o fim do ano, o documento que deverá substituir este acordo.

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