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América Latina reagiu bem à crise financeira, mas o pior ainda está por vir

Arquivo Geral

07/04/2008 0h00

A América Latina reagiu muito melhor do que o esperado à turbulência financeira internacional, check mas é provável que o pior esteja por vir, tendo em vista o aumento dos preços do petróleo e de produtos básicos de consumo, o que foi evidenciado durante a 49ª Assembléia Anual do Bando Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Tanto o secretário do Tesouro dos Estados Unidos (EUA), Henry Paulson, como o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, destacaram como a região reagiu de uma maneira positiva e como os países estão mais preparados que há alguns anos para enfrentar crise.

Moreno reconheceu que há incerteza sobre o que acontecerá com uma desaceleração dos EUA e apontou que a região mal experimentou a zona de turbulência.

“É lógico que uma desaceleração dos EUA afeta mais fortemente os países que estão mais integrados com a economia americana e que recebem grandes fluxos de remessas desse país”, observou Moreno na inauguração da Assembléia.

“Ao viver tempos de incerteza na economia global devemos ser conscientes de que os riscos poderiam aumentar nos meses que estão por vir”, assinalou.

Nesse sentido, recomendou reforçar as políticas fiscais que, em sua opinião, foram insuficientes porque boa parte dos incrementos das receitas foi destinado a despesas correntes.

“Em uma conjuntura de desaceleração, os déficites poderiam voltar a aflorar e os Governos veriam reduzidas suas opções de política”, alertou.

No entanto, destacou que a América Latina e o Caribe estão melhor preparados para enfrentar a desaceleração dos EUA e descartou que a crise afete igualmente toda a região.

“Ninguém sabe com certeza que conseqüências trará esta conjuntura, mas estamos preparados mais do que nunca para enfrentá-la”, assegurou.

Entre os indicativos de que a região está melhor preparada, o representante mencionou as reservas internacionais que ultrapassam os US$ 450 bilhões e, o ligeiro aumento do fluxo de investimento estrangeiro que somou US$ 95 bilhões em 2007.

Paulson, por sua vez, afirmou que os EUA atravessam “uma correção difícil no mercado imobiliário que afeta os mercados de capital e que por isso foram adotadas medidas agressivas para minimizar o impacto negativo”.

Sobre a América Latina e o Caribe, ressaltou que a região reagiu à turbulência muito melhor do que o esperado e apontou que a melhor receita para sair da atual etapa de incerteza é apostar no livre-comércio.

Neste sentido, fez uma vigorosa defesa da necessidade de o Congresso dos EUA aprovar “sem maior atraso” o Tratado de Livre-Comércio (TLC) porque reforçará a democracia na América Latina “ao se apoiar um aliado-chave, um aliado que alcançou registrou significativos na luta contra a violência e a instabilidade”.

O ministro guatemalteco de Finanças Públicas, Juan Alberto Fuentes, alertou sobre o risco de uma redução do crescimento e do aumento dos já elevados níveis de desigualdade pelo forte aumento dos preços do petróleo e de produtos básicos como o milho, arroz, trigo e leite.

Ao ceder a Paulson a Presidência da Assembléia de Governadores do BID, Fuentes disse que o aumento dos produtos de primeira necessidade pode causar um problema grave de desnutrição nos países menos desenvolvidos da América Latina e no Caribe.

Citou, concretamente, que o preço do milho atingiu o nível mais alto de sua história e que isso representa um risco tanto para o crescimento como para reduzir os níveis de desigualdade da região.

Paulson transmitiu, além disso, uma mensagem positiva ao assinalar que, com as medidas aplicadas por seu departamento e o Federal Reserve (Fed, banco central americano), o habitual e sólido crescimento nos EUA retornará.

Além da redução das taxas de juros, o Fed deu uma garantia de US$ 29 bilhões para respaldar a compra, por parte do JP Morgan, do banco de investimento Bear Stearns pelo valor de US$ 236 milhões e evitar assim o caos no sistema financeiro.

Outra medida extraordinária anunciada pelo Departamento do Tesouro na semana passada foi o plano para estabelecer um novo marco regulador do sistema financeiro que data da Grande Depressão de 1929 e que não corresponde mais de forma adequada às inovações e problemas que os mercados vivem atualmente.



 

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