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Aliados se comprometem a conceder garantias de segurança à Ucrânia após a guerra

Em uma coletiva de imprensa em Paris, após uma cúpula da Coalizão de Voluntários, que reúne cerca de trinta países aliados de Kiev, Macron disse que 26 países

Redação Jornal de Brasília

04/09/2025 19h13

Foto: Divulgação/Presidência da Ucrânia

Vinte e seis países, principalmente europeus, se comprometeram a apoiar militarmente a Ucrânia em caso de cessar-fogo com a Rússia, anunciou nesta quinta-feira (4) o presidente francês, Emmanuel Macron. No entanto, os Estados Unidos ainda não concretizaram sua contribuição, que muitos consideram essencial.

Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, declarou no fim do dia que havia conversado por telefone com seu par americano, Donald Trump, sobre a adoção de novas sanções contra Moscou e a proteção do espaço aéreo ucraniano contra os ataques russos.

Em uma coletiva de imprensa em Paris, após uma cúpula da Coalizão de Voluntários, que reúne cerca de trinta países aliados de Kiev, Macron disse que 26 países se comprometeram formalmente “a mobilizar (…) tropas na Ucrânia ou a estar presentes em terra, mar ou ar”.

Segundo esses planos, cujos detalhes e contribuições por país ele se recusou a revelar, “no dia em que o conflito cessar, serão implantadas garantias de segurança”, explicou, seja mediante um “cessar-fogo”, um “armistício” ou um “tratado de paz”.

O objetivo não é “travarmos uma guerra contra a Rússia”, mas sim dissuadi-la de voltar a atacar a Ucrânia no futuro, acrescentou Macron, que codirige a Coalizão com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

“Apoio dos Estados Unidos”

Macron garantiu que Alemanha, Itália e Polônia estavam entre os “contribuintes importantes” dos 26. Esses três pesos-pesados europeus haviam expressado reservas quanto ao compromisso, que condicionam especialmente a uma “rede de segurança” sólida por parte de Washington.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, reiterou após a reunião que Roma não enviará tropas à Ucrânia.

A Alemanha, por sua vez, pretende contribuir para o reforço da defesa antiaérea da Ucrânia e para o equipamento de suas forças terrestres, segundo informaram fontes governamentais à AFP.

O apoio dos EUA foi o tema central de uma videoconferência com Trump após a cúpula, da qual também participou parcialmente seu enviado especial, Steve Witkoff, presente no Palácio do Eliseu.

Não houve nenhum anúncio oficial. “Contamos com o apoio dos Estados Unidos”, reiterou Zelensky durante a mesma coletiva.

Durante uma conversa com líderes europeus e Trump após a cúpula, “examinamos diferentes opções, entre as quais se destaca a pressão, recorrendo a medidas contundentes, especialmente econômicas (…). Também falamos sobre a máxima proteção do espaço aéreo ucraniano”, escreveu mais tarde no Facebook.

Macron garantiu que o “apoio dos Estados Unidos” a essas “garantias de segurança” para Kiev se concretizaria “nos próximos dias” e que Washington havia sido “muito claro” quanto à sua participação.

“Não há nenhuma dúvida a esse respeito”, insistiu.

Por sua vez, o presidente americano exigiu que os aliados europeus pressionem economicamente a China por seu apoio a Moscou e que deixem de comprar petróleo russo, disse à AFP um alto funcionário da Casa Branca sob anonimato.

“Aumentar a pressão”

A reunião foi uma oportunidade para os europeus reafirmarem sua determinação de fazer todo o possível para empurrar a Rússia à negociação.

Starmer enfatizou que é “necessário aumentar a pressão” sobre o presidente russo, Vladimir Putin, que “continua adiando as negociações de paz e perpetrando ataques escandalosos contra a Ucrânia”, segundo um porta-voz em Londres.

Ao final da reunião, Macron também garantiu que os europeus imporiam novas sanções “em conjunto com os Estados Unidos” caso Moscou continuasse se negando à paz.

Ele também mencionou uma “colaboração” com Washington, que incluiria medidas punitivas contra os países “que apoiam” a economia russa ou ajudam a Rússia a “driblar as sanções”.

“Nesse sentido, mencionou-se a China”, acrescentou sem dar mais detalhes.

Os europeus vêm exigindo há meses essas sanções americanas, até agora sem sucesso.

Trump, que na terça-feira disse estar “muito decepcionado” com seu colega russo, advertiu na quarta que “algo poderia acontecer” se Moscou não respondesse às suas expectativas de paz.

O presidente americano “está muito descontente com a compra de petróleo russo por parte da Europa”, enfatizou também Zelensky nesta quinta-feira, citando Eslováquia e Hungria.

Por outro lado, a Rússia insiste que não aceitará o envio de tropas estrangeiras à Ucrânia “sob nenhuma forma”. A porta-voz da chancelaria, Maria Zakharova, classificou as garantias de segurança solicitadas por Kiev como um “perigo para o continente europeu”.

“Não cabe a eles decidir”, respondeu nesta quinta-feira o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

Trump prometeu, durante uma reunião com seis líderes europeus em 18 de agosto em Washington, que os Estados Unidos forneceriam garantias de segurança, sem especificar quais.

Essa “rede de segurança” americana (“backstop”, em inglês) poderia assumir diferentes formas: inteligência, apoio logístico, comunicações, já que Trump descartou que os EUA enviem tropas terrestres.

© Agence France-Presse

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