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Aliado de María Corina Machado é detido poucas horas após sua libertação

Redação Jornal de Brasília

09/02/2026 10h36

Foto: Gabriela Oraa / AFP

Foto: Gabriela Oraa / AFP

Juan Pablo Guanipa, dirigente político próximo da Nobel da Paz e líder opositora María Corina Machado, ficou menos de 12 horas em liberdade no domingo (8). O opositor venezuelano voltou para a prisão depois de falar sobre eleições no período em que aproveitou para percorrer Caracas de motocicleta e se reunir com familiares de presos políticos.

Corina Machado denunciou o “sequestro” de Guanipa. O Ministério Público afirmou que ele foi alvo de uma nova detenção por violar as condições de sua liberdade, que, entre outras medidas, o impedem de falar publicamente sobre o seu caso.

A aparição pública anterior de Guanipa havia ocorrido em 9 de janeiro de 2025, para acompanhar Corina Machado em um protesto contra a posse de Nicolás Maduro, destituído em uma intervenção militar dos Estados Unidos.

“Acredito que isso tem que terminar com o respeito à vontade do povo venezuelano”, disse Guanipa à AFP pouco depois de sair da prisão.

“No dia 28 de julho de 2024, o povo se manifestou, houve uma decisão popular”, acrescentou, em referência à eleição que a oposição reivindica ter vencido com Edmundo González Urrutia.

“Queremos respeitá-la? Vamos respeitá-la, isso é o básico, isso é o lógico. Ah, não quer respeitá-la? Então vamos a um processo eleitoral”.

Guanipa era um dos principais dirigentes opositores que permanecia na prisão. Sua libertação antecipava a aprovação de uma lei de anistia geral, na terça-feira (10), que em tese significará a libertação de todos os presos políticos.

A presidente Delcy Rodríguez anunciou o processo de anistia pouco depois de herdar o poder, após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos.

Outros dirigentes próximos a Corina Machado também deixaram a prisão no domingo. A ONG Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos, verificou 35 novas liberações. Segundo a organização, quase 400 pessoas foram libertadas desde 8 de janeiro, quando Delcy Rodríguez anunciou um primeiro processo de libertação de detentos.

Família exige prova de vida


O Ministério Público informou que pediu ao tribunal a imposição do regime de prisão domiciliar a Guanipa, detido em 23 de maio de 2025, vinculado a uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados ao Parlamento.

“As medidas cautelares acordadas pelos tribunais estão condicionadas ao cumprimento estrito das obrigações impostas”, indicou o MP.

Gonzalo Himiob, diretor do Foro Penal, lembrou que, segundo critérios da ONU, a prisão domiciliar “continua sendo uma forma de privação de liberdade”.

Guanipa foi vice-presidente do Parlamento e governador eleito do estado de Zulia, mas se recusou a prestar juramento a uma Assembleia Constituinte instaurada por Maduro que assumiu as funções do Parlamento, então controlado pela oposição. Ele foi destituído.

Corina Machado denunciou que Guanipa foi detido por homens “fortemente armados, vestidos à paisana”. “Ele foi levado violentamente”, disse.

O filho do líder político, Ramón Guanipa, exigiu uma prova de vida. “Responsabilizo o regime por qualquer coisa que aconteça ao meu pai, chega de tanta repressão”, escreveu na rede social X.

Mais opositores libertados


Outro colaborador de Corina Machado, Freddy Superlano, de 49 anos, também deixou a prisão no domingo. “Hoje, fui libertado; após 18 meses de encarceramento injusto, pude me reunir com minha família”, publicou Superlano no X, com um vídeo em que abraça sua esposa.

Superlano trabalhou ao lado da líder opositora na campanha que antecedeu as eleições presidenciais e foi preso dois dias após a contestada reeleição de Maduro.

Uma coalizão opositora destacou que ele está sob “medidas cautelares restritivas” em sua residência.

Perkins Rocha, assessor jurídico de Corina Machado e delegado da maior coalizão opositora do país, também deixou a prisão no domingo, com medidas cautelares “muito severas”, informou sua esposa, María Constanza Cipriani. “Agora vamos buscar a Liberdade plena”, escreveu no X ao lado de uma foto de ambos.

A imprensa local divulgou fotos de uma viatura policial estacionada em frente ao edifício onde Rocha reside em Caracas.

Rocha estava preso há um ano e meio. Ele foi detido em 27 de agosto de 2024, em meio à onda de prisões efetuadas após a questionada reeleição de Maduro.

Algumas horas antes, María Corina Machado celebrou as libertações. “Muito em breve vamos nos encontrar e nos abraçar em uma Venezuela livre e agradeceremos a estes heróis por tudo o que entregaram para fazer da Venezuela o país que merecemos. Que Deus nos abençoe”, afirmou em um áudio divulgado no X.

Corina Machado deixou a Venezuela para receber o Nobel em dezembro, depois de passar mais de um ano na clandestinidade. Ela denunciou fraude na eleição de 2024, que deu um terceiro mandato a Maduro.

AFP

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