Menu
Mundo

Alemanha, República Tcheca e Polônia comemoram fim de controle em fronteiras

Arquivo Geral

21/12/2007 0h00

Os Governos de Alemanha, help Polônia e República Tcheca comemoraram hoje o fim dos controles fronteiriços na cidade alemã de Zittau, link onde os três países se encontram e cujos limites mudaram ao longo da história.

“Estamos assistindo a um momento histórico”, disse a chanceler alemã, Angela Merkel, na alfândega entre Alemanha e Polônia da cidade.

“É uma grande alegria que os estudantes vivam hoje como normalidade na Europa, algo que foi um sonho para seus pais e seus avôs”, disse Merkel, que foi criada e educada na extinta República Democrática Alemã (RDA).

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, teve uma opinião semelhante a da chanceler alemã e falou que hoje foi um dia histórico para a Europa.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse que o ato tinha um caráter simbólico e lembrou que no passado a Europa esteve dividida por uma Cortina de Ferro.

Durão Barroso levava na mão um letreiro em que era lido “controle de alfândegas”, que classificou como “peça arqueológica”.

Durante o ato, uma banda da Polícia alemã tocou o Ode à Alegria de Beethoven e alguns estudantes soltaram balões com símbolos da União Européia (UE).

Frente à euforia dos políticos, a população das regiões fronteiriças ainda tem sentimentos opostos sobre a abertura e medo de um aumento da criminalidade.

“De início acho bom que abram as fronteiras, mas a criminalidade é um problema”, disse à Agência Efe o aposentado alemão Johann Wellnnar.

“Minha filha vive perto da fronteira e diz que, quando lava roupa, tem que se sentar em cima dela até que seque para que não a roubem”, acrescentou.

A desconfiança em relação à criminalidade está presente frente à entrada de Polônia e República Tcheca no espaço europeu sem fronteiras. “Agora desocuparão casas, cruzarão o rio Neisse e ninguém voltará a saber deles”, acrescenta Wellnar.

“Acho que todos exageram muito”, afirmou Peter Grusshans, outro aposentado. “Os que roubam também podem ser alemães”, acrescentou.

Grusshans nasceu na região de Silésia, “quando era da Alemanha” – hoje é território polonês. Depois de 1945, foi um dos 13 milhões de cidadãos de etnia alemã que foram retirados dos territórios a leste dos rios Oder e Neisse.

“A abertura da fronteira é maravilhosa. Tivemos que esperar por tempo demais”, acrescentou Grusshans, um homem que viveu na RDA, de onde fugiu para oeste e morou um tempo em Hamburgo. Depois da reunificação, voltou a se instalar próximo às fronteiras com a Polônia e a República Tcheca.

O rio Neisse, o afluente do Oder, tem apenas quatro metros de largura quando passa por Zittau, localidade que antes da definição das fronteiras, após a Segunda Guerra Mundial, tinha um bairro no que hoje é território polonês.

Lá também ocorreram algumas manifestações contra a abertura das fronteiras e havia um cartaz que pedia um plebiscito sobre o tema.

A rua de Zittau que leva à fronteira se chama Friedensstrasse, ou seja, “Rua da Paz”.

Para chegar do outro lado da alfândega, já fechada, basta uma viagem de ônibus de alguns minutos até um posto na fronteira entre Polônia e República Tcheca.

Ali ocorreu outra festa, com balões e músicas de uma banda policial, na qual o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, fez um discurso emocionado sobre tudo que une os países da Europa Central.

Também houve festa na Áustria, país que pela primeira vez em muitas décadas abriu suas fronteiras a todas as nações vizinhas.

“Hoje é um dia de celebração da liberdade na Europa. Pela primeira vez em muitas décadas nós, os austríacos, temos novamente fronteiras abertas com todos os vizinhos”, afirmou a ministra de Exteriores, Urusula Plassnik.

À meia-noite de quinta-feira a Europa sem fronteiras se ampliou de 15 a 24 países, com a eliminação dos postos nas fronteiras de Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia e Malta.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado