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Alemanha estende missão no Afeganistão, mas não decide sobre envio de tropas

Arquivo Geral

03/12/2009 0h00

O Parlamento alemão decidiu hoje prolongar a campanha militar no Afeganistão por um ano, mantendo o número de soldados num primeiro momento, sem deixar claro se o país vai se juntar à lista de nações que atendem ao pedido do presidente americano, Barack Obama, de reforçar a missão no país asiático.

A decisão contou com o apoio da grande maioria dos parlamentares, inclusive de parte da oposição. A votação aconteceu apenas um dia depois de Obama ter confirmado o envio de mais 30 mil soldados e pedido a seus aliados para que ampliassem seus esforços.

Além disso, o anúncio acontece apenas uma semana depois da turbulência política gerada pela renúncia do ministro do Trabalho e ex-titular da Defesa, Franz-Josef Jung, devido a um bombardeio nas cercanias da província afegã de Kunduz.

Seu sucessor, Karl-Theodor zu Guttenberg, aproveitou hoje o debate para anunciar que revisaria sua opinião inicial sobre esta operação, que considerou como “acertada” logo após assumir o cargo, há um mês.

Após analisar novos relatórios, e sob a perspectiva de alguém que “vê as coisas à distância”, disse Guttenberg, devia reconhecer agora que o ataque “não foi militarmente acertado” e houve “erros claros”.

Após o bombardeio de dois caminhões-pipa em um rio nas cercanias da base alemã em Kunduz, o Ministério teria ocultado informações a partir das quais seria possível concluir que os responsáveis souberam desde o princípio que houve vítimas fatais civis no ataque.

O caso custou o cargo não só a Jung, mas também ao inspetor geral das Forças Armadas alemãs, Wolfgang Schneiderhan, e ao secretário de Estado de Defesa, Peter Wichert. O Parlamento decidiu, além disso, estabelecer uma comissão de investigação que analise os pormenores da operação.

O ataque fez com que a opinião pública alemã se voltasse ainda mais contra a missão no Afeganistão. Uma pesquisa recente revela que 69% dos alemães pedem que os soldados do país retornem o mais rápido possível.

Apesar de toda a atenção dada ao assunto durante a semana, o debate de hoje no Parlamento seguiu sem polêmicas. Entre os deputados houve praticamente um consenso: a Alemanha não deve se comprometer a aumentar seus efetivos em terras afegãs enquanto não houver clareza sobre uma estratégia de toda a comunidade internacional, não apenas dos Estados Unidos.

O ministro de Assuntos Exteriores da Alemanha, o liberal Guido Westerwelle, ressaltou que a conferência sobre o Afeganistão, prevista para 28 de janeiro em Londres, “não será uma conferência de doadores ou de número de tropas”, mas sim para a realização de “uma análise estratégica”.

“Começar o debate falando sobre quantos soldados é preciso enviar ao Afeganistão seria começar pelo tema errado”, afirmou Westerwelle, ao reiterar que a Alemanha não fará nenhum tipo de promessa até a realização deste encontro.

Westerwelle lembra que, em seu discurso na Academia Militar de West Point, Barack Obama deixou claro que “não existe uma solução militar” para o Afeganistão, mas sim “uma solução política ladeada militarmente”.

O ministro deixou em aberto a possibilidade de aumentar o número de tropas alemãs, atualmente inferior a uma centena, com o objetivo de fazer com que o Afeganistão tenha uma “estrutura de segurança própria” o mais rápido possível.

O regulamento atual limita o número de soldados alemães que participam da missão da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês) em 4.500.

Apesar de os EUA não terem formulado um pedido concreto sobre o número de tropas adicionais que esperam de Berlim, analistas militares alemães especulam números que oscilam entre mil e 2.500 soldados.

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