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Alemanha defende que acordo UE-Mercosul entre em vigor, a despeito de Parlamento

O assunto deverá entrar na pauta do Conselho Europeu, nesta quinta-feira (22), em reunião que foi marcada às pressas no começo da semana devido à crise da Groenlândia

Redação Jornal de Brasília

21/01/2026 14h02

Foto: Divulgação

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
FOLHAPRESS

Maior exportador do continente, a Alemanha reagiu com firmeza à votação do Parlamento Europeu que na prática congelou o acordo União Europeia-Mercosul, nesta quarta-feira (21). Por dez votos de diferença, eurodeputados decidiram enviar o assunto para apreciação do Tribunal de Justiça da UE, o que congela o acordo por estimados dois anos.

Friedrich Merz, primeiro-ministro do país, classificou a decisão como “lamentável”. “Ela avalia mal a situação geopolítica. Estamos convencidos da legalidade do acordo. Chega de atrasos. O acordo deve agora ser aplicado provisoriamente.”

A aplicação provisória é uma prerrogativa da Comissão Europeia, que conduz as negociações com o bloco sul-americano desde 1999. Em Bruxelas, porta-voz do braço executivo da UE também usou o termo “lamentável” para descrever o resultado da votação em Estrasburgo.

O assunto deverá entrar na pauta do Conselho Europeu, nesta quinta-feira (22), em reunião que foi marcada às pressas no começo da semana devido à crise da Groenlândia. Merz estará na mesma sala que Emmanuel Macron, presidente francês, o maior opositor do acordo e personagem da crise política que a negociação criou em seu governo.

Segundo o ministro de Relações Exteriores francês, “o Parlamento Europeu agiu em consonância com a posição que temos defendido”. “A França está disposta a dizer não quando necessário, e a história muitas vezes comprova isso. A luta continua para proteger a nossa agricultura e garantir a nossa soberania alimentar”, escreveu Jean Noël Barrot no X.

As ameaças de Donald Trump ao território autonônomo, que faz parte do Reino da Dinamarca, e a nova fase da guerra comercial instalada pelo presidente americano contra os países que enviaram tropas à ilha, é o óbvio contexto a que Merz se refere em sua postagem.

Na véspera, a abertura de uma frente de livre comércio na América do Sul foi tratado como exemplo de uma Europa independente dos EUA por Ursula von der Leyen. Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, a presidente da Comissão Europeia declarou que “a Europa escolhe o mundo, e o mundo escolhe a Europa”.

“Na atual conjuntura geopolítica, a Europa não pode se dar ao luxo de um impasse”, declarou Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu, principal legenda do Parlamento e, como boa parte dos alemães, defensor do acordo.

Segundo a Comissão Europeia, o acordo UE-Mercosul já poderia entrar em vigor mesmo sem a ratificação dos eurodeputados ou o parecer da corte. Alguns deles, inclusive, vazaram para a imprensa europeia emails em que Bruxelas prometia não agir unilateralmente, talvez imaginando a possibilidade de a situação chegar a esse ponto.

É improvável, no entanto, que a Comissão queira alimentar qualquer indisposição com o Parlamento ao menos no curto prazo. A Casa aprecia nesta quinta-feira (22) a quarta moção de censura contra Von der Leyen em sete meses. Até aqui, sem qualquer chance de sucesso.

Assinado no último sábado (17) por representantes do bloco sul-americano e Von der Leyen, o acordo de livre comércio criaria o maior mercado do gênero no mundo, com 722 milhões de consumidores. Agora, promete entrar em nova espiral de espera, espécie de marca da negociação que já dura mais de 25 anos.

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