O Governo alemão defenderá na conferência sobre o Afeganistão, em Londres, a implantação de um programa para talibãs “arrependidos”, que receberão apoio financeiro, e oferecerá também um aumento de seu contingente, para um número de até 1,5 mil soldados a mais.
“Os terroristas talibãs têm muitos seguidores que não caíram no mau caminho por fanatismo, mas por razões econômicas. Queremos oferecer-lhes uma perspectiva econômica e social, a eles e a seus parentes”, disse o ministro de Assuntos Exteriores alemão, Guido Westerwelle, ao jornal “Bild am Sonntag”.
Westerwelle, que representará ao Governo alemão em Londres, considera que o objetivo da conferência internacional, que será realizada no próximo dia 28, deve se concentrar na “reconstrução civil” do Afeganistão, com vistas a uma “perspectiva de retirada” para os próximos quatro anos.
O ministro da Defesa alemão, Karl-Theodor zu Guttenberg, anunciou ao “Frankfurter Allgemeine Zeitung” um aumento do contingente atual, cujo teto máximo agora está em 4,5 mil soldados – do total de 85 mil nas forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) -, que deverá se concretizar na próxima semana e ficará condicionado aos resultados da conferência.
Os dois ministros tinham se pronunciado antes contra um aumento das tropas alemãs, com base em que a Alemanha já tem no país o terceiro maior contingente – depois dos EUA e do Reino Unido – e que devia se trabalhar, prioritariamente, na reconstrução civil.
Em sua entrevista ao jornal, Westerwelle afirma agora que nunca rejeitou categoricamente o envio de mais soldados, mas que seu Governo não dará “um cheque em branco” se não houver o marco adequado, centrado na reconstrução civil.