Chávez e o atual presidente cubano, Raúl Castro, atacaram a política de Washington na América Latina com palavras que fizeram alguns lembrarem da época da Guerra Fria.
Ao abrir a cúpula, no domingo, Raúl disse que cresce “o enfrentamento” entre o “império” americano e as forças “revolucionárias e progressistas” da América Latina.
Para o presidente cubano, Washington continua considerando a América Latina como seu quintal e tenta dominar a região “a qualquer preço”.
A declaração final da cúpula, a qual também compareceram os governantes da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, assim como representantes de outros cinco países, condena a “ofensiva política e militar” dos EUA na América Latina.
No encerramento do evento, Morales disse que a América Latina será “o segundo Vietnã” dos EUA.
O documento final rejeita em particular o acordo militar assinado recentemente por Washington e Bogotá, ao mesmo tempo em que defende o “direito” da Venezuela de pôr suas defesas militares em alerta por esse motivo.
O texto diz que “América Latina e Caribe devem ser uma região livre de bases militares estrangeiras”, e que é “inaceitável utilizar a luta contra o tráfico de drogas e o terrorismo internacional como pretexto para o aumento da presença militar americana na região”.
“O verdadeiro objetivo desta presença é o controle dos recursos econômicos, o domínio dos mercados e a luta contra as mudanças sociais em curso por parte dos Governos e as forças progressistas”, continua a declaração.
Também foram rechaçadas as recentes advertências da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre as relações de países latino-americanos com o Irã.
Chávez disse no domingo que as palavras de Hillary “são uma ameaça principalmente contra Venezuela e Bolívia, mas é contra toda a Alba”.
“São os sinais evidentes de uma ofensiva imperial que tenta frear o avanço das forças progressistas e recuperar seu quintal”, disse o presidente venezuelano.
A declaração final da cúpula também reitera a “total rejeição” ao bloqueio comercial e financeiro imposto por Washington a Cuba e reivindica “seu fim imediato”.
A Alba ratificou igualmente sua condenação ao golpe que derrubou o presidente hondurenho Manuel Zelaya em 28 de junho e insistiu em não reconhecer as eleições de 29 de novembro nesse país, que considerou como “ilegítimas”.
Os países que integram a aliança “expressaram sua mais firme convicção de que o golpe militar em Honduras, perpetrado com o apoio dos Estados Unidos, teve como propósito frear o avanço das forças do progresso e da justiça social nesse país e na região da América Latina e do Caribe”.
Além disso, alertam sobre o perigo de voltar “à época dos golpes de Estado, com o objetivo de afogar novamente os direitos dos povos e sustentar os interesses das forças da reação e do imperialismo”.
Como o Governo de fato de Honduras não deixou que Zelaya saísse da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa para viajar para Cuba, ele foi representado na cúpula por sua chanceler, Patricia Rodas.