Os países da América Latina precisam de mais financiamento para realizar projetos de adaptação de suas economias na luta contra a mudança climática, disseram hoje líderes regionais, após um seminário no Rio de Janeiro que terminou na terça-feira.
“Todos os países asseguraram a necessidade de conseguir mais recursos para (projetos de) adaptação na área de energia, agricultura ou saúde”, explicou, em um café da manhã com a imprensa o diretor de mudanças climáticas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Juan Pablo Bonilla, sobre a reunião de dois dias.
O encontro, organizado pelo BID e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), reuniu cerca de 60 representantes governamentais de 18 países latino-americanos no Rio de Janeiro.
Bonilla detalhou que a maioria dos países da região tem matrizes energéticas limpas, mas alguns deles querem diversificá-las para fontes tradicionais por falta de recursos para projetos hidrológicos ou outras energias alternativas.
“Ministros de três ou quatro países disseram que queriam desenvolver energia eólica, mas que não podiam, porque é caro e carecem de financiamento”, afirmou o representante do BID.
No entanto, Bonilla destacou que foram alcançados avanços muito importantes na abordagem das questões ambientais, já que, pela primeira vez no seminário, “ouvimos ministros das Finanças falando sobre mudança climática”.
Isto mostra, segundo ele, que a região está passando da determinação de projetos concretos e limitados para a elaboração de programas mais amplos para a redução de emissões dos gases que agravam o efeito estufa.
A diretora de Meio Ambiente e Energia do Pnud, Veerle Vandeweerd, disse que, nos debates, foram apresentadas iniciativas “inovadoras” procedentes de Governos como o brasileiro e de alguns dos grandes bancos de desenvolvimento nacionais e privados.
Segundo ela, foi provado que existe um compromisso na região para mudar as economias, algo que seria “inimaginável” há dois anos, mas alertou que mudanças rápidas são necessárias para que o problema seja abordado de forma global, pois “os pobres são os mais afetados pela mudança climática”.
A diretora do Pnud disse que ficaria feliz se na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que será realizada em Copenhague em dezembro, for alcançado um acordo para criar mecanismos para destinar US$ 10 bilhões para a luta contra a mudança climática, o que seria “apenas o início”.