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A.Latina deve aumentar gasto social após crise, diz brasileiro da Cepal

Arquivo Geral

26/01/2010 0h00

O secretário-executivo adjunto da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), o brasileiro Antônio Prado, pediu hoje aos países da região para que aumentem o investimento público e os gastos sociais enquanto se recuperam dos efeitos da crise econômica.

Prado fez este pedido na abertura do 22º Seminário Regional de Política Fiscal, que se estende até sexta-feira em Santiago.

Segundo ele, depois do período de emergência, as estratégias de saída da crise “deverão contemplar um duplo desafio, de responsabilidade fiscal e sustentabilidade da dívida pública, por um lado, e níveis consistentes de investimento público e despesa social, por outro”.

O secretário-adjunto lembrou que, para enfrentar a crise recente e frente a uma deteriorada demanda interna, muitos países recorreram ao uso do déficit fiscal transitório para conseguir a estabilidade macroeconômica, incluindo o financiamento de amplos pacotes de estímulo fiscal.

Depois de superarem a crise, acrescentou, estes países estão diante da conjuntura de conduzir a dívida pública e, ao mesmo tempo, “sustentar e aumentar a despesa social”, especialmente para atenuar os custos sociais da crise e acelerar o desenvolvimento produtivo.

As nações latino-americanas devem fazer o esforço de reforçar sua capacidade de gastos sociais, apontou Prado, ao destacar que, “em um contexto de persistente pobreza e subdesenvolvimento, é inevitável manter e reforçar a capacidade de despesa do setor público em assuntos sociais”.

Nesse contexto, apontou que “a lógica contracíclica” na região deveria concentrar-se no investimento para sustentar o emprego e no controle dos custos sociais da crise.

Segundo a Cepal, a economia latino-americana contraiu 1,8% em 2009 por causa da crise, enquanto o número de pessoas em situação de pobreza aumentou em nove milhões, somando 189 milhões, equivalentes a 34,1% da população.

Para o economista brasileiro, os níveis de pobreza e distribuição de renda não melhorarão na América Latina de maneira sustentada e significativa sem políticas fiscais ativas que incidam na qualidade e efetividade dos mercados.

“O equilíbrio entre a sustentabilidade das contas públicas e o aumento da cobertura do investimento social é o principal desafio das estratégias nacionais de desenvolvimento ao sair da crise”, acrescentou Prado.

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