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AIEA vê "com preocupação" plano iraniano de enriquecimento de urânio

Arquivo Geral

08/02/2010 19h52

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) recebeu hoje “com preocupação” o anúncio de que o Irã pretende enriquecer seu urânio a 20% para criar combustível para seu reator científico em Teerã.

“O Diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, conheceu com preocupação a decisão, já que pode afetar os esforços internacionais de oferecer combustível nuclear para o reator de pesquisa do Irã”, indicou Gill Tudor, porta-voz da agência.

Conforme Tudor, o diretor-geral reiterou a disposição da AIEA de desempenhar um papel de mediador no assunto.

Horas antes, o embaixador iraniano diante da AIEA, Ali Asghar Soltanieh, confirmou à Agência Efe que entregou uma carta à agência da ONU explicando a decisão do Governo.

Soltanieh explicou que decisão se deve ao fato do combustível do reator de Teerã estar se esgotando, “um problema sério” para os 850 mil doentes de câncer do país.

Com os isótopos produzidos no reator científico de Teerã são realizados tratamentos radiológicos em pacientes de câncer.

A AIEA ofereceu transferir à Rússia e à França 1,2 mil quilos de urânio pouco enriquecido do Irã, cerca de 70% de suas reservas, para transformá-lo em combustível nuclear a enriquecido a 20% e depois devolvê-lo mais a Teerã.

O objetivo da medida era criar confiança entre as partes e ganhar tempo para ampliar as negociações sobre o controvertido programa nuclear iraniano, alvo de resoluções condenatórias e sanções do Conselho de Segurança da ONU.

Teerã insistiu em que a troca deveria ocorrer de forma gradual e simultânea, o que as potências ocidentais rejeitam.

“Sempre dissemos que a via normal seria comprar o combustível. Mas estamos prontos para enriquecer o urânio e demonstrar que temos boas intenções”, afirmou em declarações à Efe o diplomata iraniano.

A AIEA confirmou que os trabalhos de enriquecimento serão desenvolvidos na planta de Natanz, no centro do país.

O Ocidente acusa Teerã de esconder em um programa nuclear com fins militares sob o esforços atômicos civis, o que o Irã nega.

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