O plano foi apresentado durante a cúpula anual do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), em Doha, da qual Ahmadinejad participa como convidado, e também prevê acordos de cooperação entre o Irã e o CCG nas áreas política, econômica, comercial e energética (petróleo e gás).
A proposta inclui ainda iniciativas nos campos educacional, ambiental, turístico, bancário e de investimentos, além da criação de um corredor do norte ao sul do Golfo para a exportação de energia.
O plano – visto como uma oferta de aliança completa entre o Irã e o CCG – também prevê o estabelecimento de uma zona de livre-comércio, o fim dos vistos entre o grupo de países e a livre aquisição de imóveis por parte dos cidadãos das duas partes.
Se nos unirmos, haverá interferência dos estrangeiros?, perguntou Ahmadinejad, dirigindo-se aos chefes de Estado de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Catar, Barein, Omã e Kuwait, todos aliados dos Estados Unidos.
Para o presidente iraniano, os países da região são capazes de garantir a segurança da área: Para desenvolver a cooperação (neste âmbito), proponho a assinatura de um acordo e a criação de uma organização para a cooperação em matéria de segurança.
O projeto de Ahmadinejad, que o próprio considera fundamental para a segurança do Golfo, é visto por analistas como uma tentativa de tirar o Irã de seu isolamento político e de reduzir as pressões sobre o país por suas atividades nucleares.
O governante iraniano deixou claro em outras ocasiões que se opõe à presença de tropas estrangeiras no Golfo, em alusão às bases militares americanas em países como Barein, Catar e Kuwait.
Além disso, frisou que sua proposta é um importante passo para o desenvolvimento das relações entre os países da região, e disse que qualquer ação que afete a segurança de um dos países afetará também a dos demais, motivo pelo qual todos devem se esforçar para evitar problemas nesta área.
Ahmadinejad acrescentou que qualquer passo para fortalecer a amizade e a fraternidade na região ajudará a garantir a paz e a segurança.
É possível fazer com que este Golfo seja o Golfo da paz, disse.
O presidente iraniano, o primeiro de seu país a comparecer a uma reunião do CCG desde a criação da organização, em 1981, também ofereceu fornecer água potável e gás aos seus vizinhos árabes.
Além disso, convidou-os para estudar os pontos da proposta numa reunião em Teerã, algo que o emir do Catar, xeque Hamad bin Jalifa al-Zani, assegurou que ele e seus colegas árabes levarão em conta.
Durante seu discurso, o Ahmadinejad não se referiu ao programa atômico de seu país nem à disputa entre Teerã e os EAU pelas ilhas Tonb Maior, Tonb Menor e Abu Moussa, situadas na entrada do Golfo Pérsico e estratégicas para navegação local.
Ele também não fez alusão à proposta do CCG para a criação de um consórcio para o enriquecimento de urânio em um terceiro país, a fim de aliviar a tensão gerada pelo programa iraniano e, assim, evitar um eventual conflito, algo que repercutiria de forma catastrófica sobre as economias dos países árabes da região.
O discurso de Ahmadinejad se deu após a fala do emir do Catar, que abriu a cúpula pedindo implicitamente aos EUA e ao Irã para serem flexíveis quanto a suas respectivas posturas na polêmica sobre o programa atômico iraniano.
O xeque Hamad pediu para que todas as partes que têm interesse nos assuntos internacionais e da região reconsiderem suas posturas e evitem as ameaças recíprocas: Esta região merece ser protegida.
Ele acrescentou que a segurança e o desenvolvimento são dois lados de uma mesma moeda, e que todas as partes devem entender as causas da inquietação na zona devido ao programa nuclear iraniano e às mobilizações de tropas no Golfo.
Atualizado às 17h.