Uma delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) negocia com o Irã uma saída para a crise gerada pelo programa nuclear do país, thumb enquanto o presidente iraniano, remedy Mahmoud Ahmadinejad, mantém sua postura desafiadora.
Apesar de ter reiterado que é favorável ao diálogo e que pretende eliminar as “ambigüidades” que persistem em relação ao projeto atômico, Ahmadinejad afirmou que “estão errados os que acreditam que o Irã renunciará a seus direitos” nucleares.
“O processo de instalações das centrífugas pode ser acelerado ou desacelerado, mas que ninguém acredite que frearemos nossa atividade neste campo”, disse Ahmadinejad em Teerã.
O presidente respondia assim ao diretor da AIEA, Mohamad ElBaradei, que assegurou na segunda-feira que Teerã freou seu programa de enriquecimento de urânio, embora não tenha suspendido o projeto, como exige a comunidade internacional.
“Nossas atividades nucleares se desenvolvem dentro das normas da AIEA. Reivindicamos nossos direitos e não renunciaremos a nenhum ponto destes direitos legítimos”, ressaltou.
Ahmadinejad reiterou várias vezes que o Irã não pensa em obter uma bomba atômica, como suspeitam os Estados Unidos e outros países ocidentais, que o programa do país é pacífico e que o enriquecimento de urânio é “um direito indispensável do povo iraniano”.
O chefe de Estado fez estas declarações poucas horas após a chegada a Teerã de uma delegação da AIEA, liderada pelo assessor de ElBaradei, Olli Heinonen, e formada por especialistas no âmbito técnico, político e jurídico.
O grupo foi recebido esta manhã pelo principal negociador iraniano e secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, antes de iniciar as negociações com os responsáveis do Organismo de Energia Atômica do Irã.
A representação iraniana nas negociações é liderada pelo assessor de Larijani, Javad Vaeedi, e composta pelo secretário do Organismo de Energia Atômica do Irã, Mohamad Saidi, e pelo representante do país na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, entre outros.
As duas partes iniciaram uma rodada de conversas hoje, com duração de quatro horas, e manterão o debate na quinta-feira em Teerã antes de ser anunciado o resultado das discussões.
Fontes iranianas acrescentaram que a equipe internacional não visitará instalações nucleares no Irã.
Segundo Vaeedi, nos próximos 60 dias o Irã e a AIEA tentarão obter um pacto sobre a cooperação de Teerã com o organismo internacional e a solução para as “questões pendentes” no caso nuclear iraniano.
O assessor de Larijani exigiu, para o sucesso dos contatos entre o Irã e a AIEA, que o “Ocidente não tome medidas que possam estragar a implementação do plano”, segundo a agência de notícias Irna.
Vaeedi referia-se às pressões de alguns países ocidentais no Conselho de Segurança da ONU para que as sanções contra o Irã sejam mais rígidas por sua recusa a suspender o enriquecimento de urânio.
As autoridades iranianas, que qualificam de “muito importante” a visita da delegação, dizem que seu principal objetivo é fortalecer a cooperação com a AIEA para tentar fazer com que o caso nuclear seja tratado por esse organismo e não pelo Conselho de Segurança da ONU.
Negociar um pacto para resolver as “questões pendentes” havia sido proposto por Larijani durante as conversas que manteve no final de junho com ElBaradei, assim como na reunião realizada em Lisboa com o alto representante da União Européia para a Política Externa, Javier Solana.