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Ahmadinejad e Morales defendem energia nuclear pacífica

Arquivo Geral

24/11/2009 0h00

Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reafirmaram hoje sua aliança com o compromisso de ampliar seus “laços de cooperação”, e se uniram na defesa do uso da energia nuclear com fins pacíficos.

Dentro da atual viagem latino-americana, Ahmadinejad visitou a Bolívia pela segunda vez, país onde ficou por apenas seis horas, durante as quais se reuniu com Morales, assinou convênios bilaterais e inaugurou – através de vídeoconferência – projetos financiados por seu Governo.

Os dois líderes assinaram, em La Paz, uma declaração conjunta onde reconhecem o “direito legítimo de todos os países ao uso e desenvolvimento de energia nuclear com fins pacíficos, dentro do direito internacional”.

No entanto, nenhum dos governantes mencionou o tema nos discursos oficiais que ofereceram.

Em seu comunicado, também condenam a “dupla moral de alguns países sobre o assunto” e solicitam que os países detentores de armas nucleares as eliminem.

Essa é uma declaração semelhante a que, em setembro de 2008, já havia sido assinada pelos dois presidentes durante uma visita de Morales a Teerã.

A visita de Ahmadinejad gerou críticas de opositores a Morales, que denunciaram hoje que o presidente do Irã procura urânio na Bolívia para seu programa nuclear.

O deputado conservador Pablo Klinsky lembrou que o Governo de Israel denunciou há meses a suposta venda de urânio boliviano ao Irã, o que então foi negado pelo Executivo de Morales.

Os líderes do Irã e da Bolívia expressaram também, no comunicado, sua condenação “aos crimes em Gaza e na Palestina”, e solicitam “que a região do Oriente Médio seja declarada livre de armas nucleares”.

A visita de Ahmadinejad à Bolívia representou, nas palavras do próprio presidente iraniano, a concretização da cooperação de seu Governo com a Bolívia, onde financiou – com US$ 1,2 milhão – a construção de um hospital na cidade de El Alto, assim como uma unidade de produção de laticínios na região central de Cochabamba.

Os Governos de Teerã e La Paz assinaram também dois convênios, um para a instalação de dois centros de hemodiálise na Bolívia e outro para cooperar na pesquisa a fim de industrializar os recursos do Salar de Uyuni, uma das maiores reservas mundiais de lítio, situado na região andina de Potosí.

O que não ficou confirmado foi o projeto para a instalação de um canal de televisão de financiamento iraniano que havia sido anunciado nos últimos meses pelos dois Governos.

Ahmadinejad e Morales – que no final não deram entrevista coletiva, como estava anunciado – aproveitaram seus discursos em La Paz para reiterar a admiração mútua e destacar as coincidências dos processos “revolucionários” vividos, segundo eles, por Irã e Bolívia.

O presidente iraniano se dirigiu a Morales como “querido amigo e irmão revolucionário”, e ressaltou o “rápido avanço” que – segundo ele – Bolívia teve sob sua “liderança”, apesar das dificuldades do “imperialismo”.

Na declaração conjunta, o Irã declarou sua “complacência” com o “ambiente de transparência e paz” no qual se desenvolve o processo eleitoral boliviano para o pleito geral de 6 de dezembro, no qual Teerã deseja ao povo da Bolívia “o maior dos sucessos”.

Morales aproveitou para insistir no discurso anti-imperialista que une os dois líderes e afirmou que, “onde há império, não há desenvolvimento” e que, “onde há bases militares estrangeiras, não há integração”.

A Bolívia e o Irã retomaram suas relações diplomáticas em setembro de 2007, duas semanas antes de Ahmadinejad realizar sua primeira visita oficial a La Paz, que também foi rápida: de três horas.

Morales respondeu no ano seguinte com uma viagem a Teerã, onde os dois presidentes ratificaram seu compromisso de lutar “contra qualquer forma de imperialismo”.

A Bolívia ainda não tem embaixada em Teerã, mas o Governo Morales expressou hoje a intenção de abrir a delegação diplomática durante o primeiro trimestre do próximo ano.

Após sua estadia em La Paz, Ahmadinejad partiu para a Venezuela, onde se reunirá com o presidente Hugo Chávez.

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