O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou hoje que “isolar o Irã é impossível”, já que, segundo ele, atualmente a República Islâmica é “um grande poder dentro do Oriente Médio, a região mais estratégica do mundo”.
Em entrevista televisionada à nação, o líder iraniano desprezou o impacto de possíveis sanções internacionais e insistiu em que a ordem mundial atual “está em franco declive” e se dirige “para uma nova era”, e ressaltou que não espera uma mudança na política do presidente americano, Barack Obama.
“Isolar o Irã é impossível. Fazemos parte do Oriente Médio, que é a região mais estratégica do mundo. O Irã é uma grande potência no Oriente Médio”, afirmou.
Ahmadinejad se mostrou convencido de que Teerã desempenha um papel primordial no cenário internacional, e deu como exemplo da impossibilidade de isolamento a “bem-sucedida” viagem feita na semana passada a três países da América do Sul e dois da África, e em particular sua visita ao Brasil.
“Eles (a comunidade internacional) precisam mais de nós do que nós precisamos deles”, afirmou.
Além disso, insistiu em sua ideia de que é necessário um sistema mundial mais justo, e que a ordem atual, herdeira do “colonialismo” e dominada pelas “potências arrogantes”, está em declive.
“Estão administrando o mundo de uma maneira irresponsável. O Irã pode ser uma fonte para o novo desenvolvimento mundial”, disse.
Depois, passou a opinar sobre o conflito em torno do programa nuclear iraniano, que, segundo ele, “foi politizado e sabotado por alguns países”, em particular por Reino Unido e Israel.
“A questão nuclear iraniana já foi resolvida. Não vamos negociar mais sobre este assunto. Não é necessário mais diálogo”, afirmou.
Neste sentido, Ahmadinejad reiterou que “o Irã fez tudo de forma legal, como foi reconhecido. Somos contra, por princípio, às armas nucleares”.
Ahmadinejad qualificou também de “ilegal e sem fundamento” a recente resolução de condenação da AIEA ao Irã devido ao programa nuclear iraniano, e advertiu à Rússia que cometeu “um erro” ao apoiá-la.
A este respeito, insistiu em que seu país manterá a relação com a AIEA, mas ressaltou que reduzirá sua cooperação ao mínimo.
“Há dois tipos de cooperação: a entusiasmada e a que está de acordo com a lei. Não haverá mais cooperação amigável e se limitará ao que estritamente determina a lei”, disse.
O líder disse que a República Islâmica tem tecnologia para o enriquecimento de urânio e que pode produzir o combustível necessário com seus próprios meios.
“Fomos nós que propusemos ao 5+1 (grupo de negociação) a troca de urânio, porque queríamos dar uma oportunidade”, afirmou.
Sobre as possíveis consequências futuras, o presidente iraniano reiterou que seu país não está preocupado, porque o impacto das sanções seria mínimo, como ocorreu com as atuais, e as possibilidades de um ataque bélico são nulas.
Ahmadinejad também aproveitou a oportunidade para criticar mais uma vez a política de Obama, sobre quem disse que não cumpriu as promessas de mudança, ao manter a mesma via do antecessor, George W. Bush.
“É preocupante a atitude de Obama. Prometeu mudanças, mas mantém a política de Bush. Não haverá mudanças na política dos Estados Unidos sob Obama. Não vimos passos positivos”, disse.