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Agricultores argentinos suspendem greve para negociar com o Governo

Arquivo Geral

28/03/2008 0h00

As organizações agropecuárias da Argentina decidiram nesta sexta-feira suspender temporariamente a greve que tinham iniciado há 16 dias para facilitar o diálogo com o Governo, symptoms com quem aceitaram se reunir.

Em comunicado, as quatro entidades que convocaram a paralisação esclareceram que mantêm “o estado de alerta e mobilização à beira das estradas”, liberadas após vários dias de bloqueio.

“O objetivo desta definição é facilitar uma reunião com o Governo, depois da qual seus resultados serão avaliados e submetidos a consultas com as bases de todo o país”, apontou o comunicado assinado pelas organizações, entre elas a Sociedade Rural Argentina.

As entidades acrescentaram que decidiram suspender a greve por terem se convencido de que o diálogo deve ser retomado, o que consideraram “a base do reencontro dos argentinos”.

Fontes oficiais afirmaram que a decisão foi comunicada à presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, pelo chefe de Gabinete, Alberto Fernández, pelo ministro da Economia, Martín Lousteau, e pelo secretário de Agricultura, Javier de Urquiza.

Aparentemente, eles serão os encarregados de negociar com as patronais agrárias.

Os dirigentes das quatro organizações agropecuárias grevistas se reuniram hoje, desde muito cedo, para discutir se aceitavam a proposta de suspender a greve e negociar com o Governo, feita ontem pela presidente argentina.

Um dos principais problemas era a possível intransigência dos produtores e dos trabalhadores rurais que bloquearam mais estradas do país após a divulgação da proposta.

Alguns destes piquetes, que derivaram no desabastecimento de produtos básicos em muitas cidades do país, foram levantados na noite de quinta-feira.

Outros agricultores decidiram hoje liberar as estradas por algumas horas, porém permaneceram no local, à espera dos resultados da negociação com o Governo.

Em um ato organizado hoje numa universidade nos arredores de Buenos Aires, durante o qual não fez nenhuma alusão direta à greve, Cristina disse que “um país não é construído por um setor e nem por um partido político, mas por todos”.

“Esta é uma universidade pública, é feita com impostos pagos por todos os argentinos. Em nome deles temos que restabelecer o modelo de país. Em nome dos que não têm trabalho, dos comerciantes, dos empresários, dos trabalhadores rurais. Para todos, porque isto é um país”, enfatizou.

Nesse sentido, a presidente pediu respeito às idéias e às propostas pelas quais o Governo foi eleito, indicando que o “acatamento da vontade popular constrói democracia e qualidade institucional”.

Cristina também pediu para “não repetir os erros do passado” e ressaltou que a Argentina possui “cinco anos de crescimento sustentado”, que, se for repetido em 2008, será “o período de maior expansão em toda a história” do país.

Horas antes, o ministro do Interior, Florencio Randazzo, se mostrou “confiante” no fim da greve do setor agropecuário.

“Ouvimos algumas manifestações públicas de algumas organizações do campo, que receberam muito bem a mensagem da presidente, mas estamos esperando que hoje as respectivas assembléias de cada organização resolvam qual será sua posição”, declarou o ministro a uma rádio.

A greve comercial e os bloqueios de estradas na Argentina dos produtores agropecuários atingiram outros setores da economia, como a indústria, o transporte de carga e de passageiros, e até a reposição de alimentos para os serviços aéreos.

No entanto, analistas consultados pela Agência Efe destacaram hoje que os efeitos do protesto, o mais grave das últimas décadas, ainda “não podem ser quantificados seriamente”.

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