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Agência da ONU para os Direitos Humanos está no ‘modo sobrevivência’, alerta comissário

“Em 2025, cumprimos menos da metade das missões de acompanhamento de direitos humanos em comparação com 2024 (…) Reduzimos nossa presença em 17 países”, acrescentou

Redação Jornal de Brasília

05/02/2026 10h39

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Foto: Eskinder Debebe/ ONU

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos advertiu nesta quinta-feira (5) que a organização está no “modo sobrevivência” com a falta de financiamento.

“Estamos no modo sobrevivência e devemos cumprir nossas missões com limitações”, disse o Alto Comissário, Volker Türk, em Genebra, ao apresentar, para os diplomatas, o apelo por contribuições voluntárias para 2026.

“Em 2025, cumprimos menos da metade das missões de acompanhamento de direitos humanos em comparação com 2024 (…) Reduzimos nossa presença em 17 países”, acrescentou.

Türk destacou que as necessidades da agência da ONU para 2026 “alcançam 400 milhões de dólares (2,09 bilhões de reais) em contribuições voluntárias”.

“Neste período crítico, este valor nos permitirá defender todos os direitos — civis, políticos, sociais, culturais e econômicos — de todas e todos”, disse.

Türk recordou que o Alto Comissariado “fornece informações confiáveis sobre as atrocidades e os avanços em matéria de direitos humanos em um momento no qual a verdade é minada pela desinformação e pela censura”.

Em 2025, o Alto Comissário apresentou um apelo por 500 milhões de dólares (2,6 bilhões de reais) em doações, mas recebeu apenas US$ 262,1 milhões (R$ 1,37 bilhão).

No ano passado, a agência da ONU, que tem 1.275 funcionários em 87 países, organizou mais de 5.000 missões de monitoramento dos direitos humanos e prestou apoio direto a 67.000 sobreviventes de tortura e de formas contemporâneas de escravidão, lembrou Türk.

A organização também documentou dezenas de milhares de violações dos direitos humanos, incluindo centenas contra jornalistas e ativistas.

“Em escala mundial, contribuímos para a libertação de mais de 4.000 pessoas detidas arbitrariamente, quase mil a mais do que no ano anterior”, acrescentou.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um alerta na semana passada sobre um “colapso financeiro iminente” da organização caso alguns países, como os Estados Unidos, não cumpram seus compromissos.

De acordo com Türk, os cortes e reduções que afetam o Alto Comissariado “dão carta branca aos autores de violações dos direitos humanos”.

AFP

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