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Advogada pede a Macron firmeza com Milei por visita de deputados a repressores na ditadura

O ex-militar é considerado um símbolo para atuar em um grupo especialmente destinado a sequestrar, torturar e matar opositores

Redação Jornal de Brasília

25/07/2024 19h32

Foto: Ludovic MARIN / AFP

A advogada dos desaparecidos franceses durante a ditadura argentina, Sophie Thonon, pediu, nesta quinta-feira (25), ao presidente Emmanuel Macron que expressasse clara a inclusão de seu homólogo argentino, Javier Milei, pela visita que os deputados governistas fizeram ao repressor Alfredo Astiz e a outros presos por crimes contra a humanidade.

“Haverá um encontro entre os dois presidentes. Eu espero, porque enviei a carta à Presidência (francesa), que eles conversem sobre esse tema e que Macron tenha uma posição firme dizendo que de nenhuma maneira Astiz tem que ser liberado da prisão”, disse Thonon em entrevista à rádio local AM 750.

Astiz, ex-capitão de 72 anos, tem duas sentenças de prisão perpétua por crimes contra a humanidade durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983), incluindo os crimes das freiras francesas Leonie Duquet e Alice Domon.

O ex-militar é considerado um símbolo para atuar em um grupo especialmente destinado a sequestrar, torturar e matar opositores. Ele operava na Escola Mecânica da Marinha (Esma), agora transformada no Museu da Memória.

Há duas semanas, um grupo de seis deputados do partido governamental visitou Astiz e outros repressores condenados por crimes contra a humanidade na prisão de Ezeiza, na província de Buenos Aires.

Em uma carta publicada alguns dias depois, Thon considerou que “o verdadeiro objetivo dessa visita foi, na verdade, garantir aos presos que suas condenações seriam anuladas em breve e que eles seriam liberados”.

Em uma mensagem de WhatsApp que a imprensa local atribuiu ao deputado Beltrán Benedit, que participou da comitiva, o político considera que foi uma “visita humanitária” a “ex-combatentes que travaram batalhas contra a subversão marxista”.

Ao ser consultado sobre a visita em uma entrevista ao canal digital Neura na última sexta-feira, Javier Milei disse: “É a vontade deles. Eu não teria feito isso”.

Um relatório publicado pelo Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels) considera que a visita ocorre em um contexto em que “o governo de Javier Milei desmantelou, total ou parcialmente, políticas fundamentais para o processo de memória, verdade e justiça”.

Macron e Milei se reunirão na próxima sexta-feira no Palácio do Eliseu, em Paris, antes da abertura de abertura dos Jogos Olímpicos de 2024.

© Agence France-Presse

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