O embaixador dos EUA na ONU, Zalmay Khalilzad, justificou o atraso por problemas logísticos na hora de entregar a última minuta da resolução ao primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki. “(O atraso) Se deve ao fato de que o primeiro-ministro está de viagem à Turquia e ao Irã, e queremos nos assegurar que o documento tem a aprovação do Governo iraquiano”, disse.
Khalilzad disse que, de qualquer forma, sua intenção é passar hoje a limpo a minuta e submetê-la à votação no Conselho amanhã.
O texto estende por um ano o mandato da Missão de Assistência da ONU no Iraque e aumenta suas responsabilidades em relação a seu trabalho de assistência ao Governo iraquiano.
Os responsáveis da ONU ofereceram poucos detalhes sobre que mudanças deverão efetuar nas instalações e o dispositivo de segurança necessário para poder aplicar o novo mandato, perante a persistente violência que castiga o Iraque, a qual limita as atividades das instituições estrangeiras.
O subsecretário para Assuntos Políticos da ONU, Lynn Pascoe, disse na terça-feira que por enquanto têm pensado aumentar o outubro próximo de 65 para 95 o pessoal internacional da missão em Bagdá.
Sob a proposta de resolução, Nações Unidas deve ajudar e assessorar ao Governo iraquiano no fomento de um diálogo político e de reconciliação nacional, na revisão da Constituição, a organização de eleições e na facilitação de negociações regionais, para tratar assuntos como a segurança de suas fronteiras ou o retorno de refugiados.
As novas tarefas representam um aumento quantitativo e qualitativo em relação ao trabalho atual da reduzida missão em Bagdá, dedicada quase exclusivamente a facilitar assessoria técnica ao Governo iraquiano.
Washington tornou público há algum tempo seu desejo de que a ONU desempenhe um papel mais ativo em Bagdá, como transmitiu o presidente George W. Bush ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em sua primeira reunião em janeiro.
Ban se mostrou desde então aberto à possibilidade, mas também disse que qualquer decisão dependerá da situação de segurança no país.
A ONU teve que retirar a maioria de seus empregados no país árabe depois do atentado ocorrido em sua sede em Bagdá em agosto de 2003, no qual morreram 22 pessoas, entre eles o representante especial no Iraque, o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello.