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‘Adeus amigo’, ‘velho querido’: o mundo chora a morte de ‘Pepe’ Mujica

“Vamos sentir muito a sua falta, Velho querido. Obrigado por tudo o que você nos deu e por seu profundo amor por seu povo”, disse Orsi

Redação Jornal de Brasília

13/05/2025 19h52

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Um homem desdobra uma placa em homenagem ao falecido presidente uruguaio José Mujica, em Montevidéu, em 13 de maio de 2025. O ex-presidente uruguaio (2010-2015) José Mujica, ex-guerrilheiro e ícone da esquerda na América Latina, morreu aos 89 anos em 13 de maio de 2025, anunciou o governo. O agricultor, apelidado de “presidente mais pobre do mundo” durante sua presidência por seu estilo de vida modesto, havia sido diagnosticado com câncer de esôfago em maio de 2024. (Foto de DANTE FERNANDEZ / AFP)

“Grande amigo”, “velho querido”, “exemplo”. O Uruguai e líderes políticos de todo o mundo choraram a morte, nesta terça-feira (13), do ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica, aos 89 anos, vítima de um câncer.

Desde o anúncio do presidente Yamandú Orsi, às 16h14 locais (mesmo horário em Brasília), que anunciou pela rede X “com profunda dor” o falecimento do carismático ex-guerrilheiro, as reações de solidariedade e em memória do ex-dirigente se multiplicaram.

“Vamos sentir muito a sua falta, Velho querido. Obrigado por tudo o que você nos deu e por seu profundo amor por seu povo”, disse Orsi.

O ex-presidente uruguaio Luis Lacalle Pou ofereceu seu “respeito e saudação para seu partido político, seu povo e sua companheira de vida”, Lucía Topolansky. “Isso me faz destacar o que é bom e as coincidências”, disse ele em sua mensagem no X.

O governo brasileiro expressou seu “profundo pesar” pelo falecimento de Mujica, “um grande amigo do Brasil”.

Mujica foi “um dos principais artífices da integração da América do Sul e da América Latina e, sobretudo, um dos mais importantes humanistas de nossa época”, assinalou o Itamaraty em um comunicado.

“Seu compromisso com a construção de uma ordem internacional mais justa, democrática e solidária constitui exemplo para todos e todas”, acrescentou.

O também ex-guerrilheiro Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, o classificou de “grande revolucionário”. “Adeus amigo”, disse Petro.

Mujica foi um “exemplo para a América Latina e o mundo inteiro” por sua sabedoria e simplicidade, afirmou a presidente do México, Claudia Sheinbaum.

– ‘Esperança insaciável’ –

Romântico, o presidente chileno Gabriel Boric escreveu: “Caro Pepe, imagino que você esteja saindo preocupado com o sabor amargo que temos no mundo hoje. Mas, se você nos deixou algo, foi a esperança insaciável de que é possível fazer melhor.”

“Você vai embora fisicamente, mas ficará para sempre. Prometo-lhe que a oliveira que plantamos em fevereiro em sua chácara florescerá”, afirmou o dirigente chileno, que foi um dos últimos dignitários estrangeiros a visitar Mujica em Montevidéu.

“Sua vida foi um testemunho de rebeldia e amor por seu povo. Seu legado vai permanecer em nossos corações, na história do Uruguai e da Pátria Grande”, afirmou o presidente boliviano, Luis Arce.

“Toda a América Latina está de luto”, disse, por sua vez, o ex-presidente boliviano Evo Morales. “Estamos profundamente tristes com o falecimento de meu irmão Pepe Mujica. Sempre me lembro de seus conselhos cheios de experiência e sabedoria. Ele era um fervoroso defensor da integração e da Pátria Grande”, sustentou, em alusão ao velho sonho de integração regional latino-americana.

“Lamento profundamente a partida de José ‘Pepe’ Mujica”, disse o presidente da República Dominicana, Luis Abinader. “Tive a honra de conhecê-lo e aprender com sua sabedoria e humildade”, disse sobre o político que classificou de “referência moral e humana”.

“Adeus, querido Pepe. Exemplo de humildade e de grandeza. De liderança entendida como serviço sempre aos que mais precisam”, manifestou, por sua vez, o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo.

Mujica acreditava em “um mundo melhor”, afirmou o presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez. “A política ganha sentido quando se vive assim, a partir do coração”, acrescentou sobre a vida de Mujica, que, no início deste ano, anunciou que estava abandonando os tratamentos contra o câncer de esôfago que foi diagnosticado em 2024.

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner, com quem Mujica teve duros desencontros, disse que a “América Latina se despede de um grande homem que dedicou sua vida à militância e à sua Pátria”.

O líder da esquerda radical francesa, Jean-Luc Mélenchon, agradeceu a Mujica “por toda a coragem” e pelo “exemplo”. “Obrigado por sua lição de vida”, disse sobre a memória do ex-presidente que ficou famoso no mundo por um estilo de vida sóbrio, mas também pela aprovação em seu mandato (2010-2015) da lei que regulamentou o mercado da maconha no Uruguai e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Mujica viveu até o final de seus dias em sua humilde casa no campo, na periferia a oeste de Montevidéu, junto com sua esposa, a ex-vice-presidente Lucía Topolansky.

© Agence France-Presse

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