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Acusado por massacre em Ruanda é enviado a tribunal internacional

Arquivo Geral

06/10/2009 0h00

Idelphonse Nizeyimana, acusado de ser um dos organizadores do genocídio ruandês de 1994, foi detido pelas autoridades em Uganda, que o colocaram hoje à disposição do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, com sede na cidade tanzaniana de Arusha, para ser processado por crimes contra a humanidade.

Em uma nota em seu site, o tribunal lembra que Nizeyimana era o segundo ao comando dos serviços secretos ruandeses quando aconteceu o massacre de 800 mil tutsis e hutus moderados em Ruanda, entre abril e julho de 1994.

Segundo o comunicado, Nizeyimana foi detido em Campala na segunda-feira por forças policiais de Uganda, com colaboração com pessoal do tribunal de Arusha, e é o segundo capturado em menos de dois meses da lista de 13 pessoas procuradas pela corte internacional.

Nizeyimana, que foi capitão das Forças Armadas de Ruanda, é “um dos quatro principais acusados” do genocídio ruandês, explica a nota.

Segundo comunicado, “inicialmente foram apresentadas acusações contra ele conjuntamente com Tharcisse Muvunyi e Idelphonse Hategekimana”, os três acusados de genocídio e crimes contra a humanidade.

Por meio da cadeia de comando, Nizeyimana é acusado de planejar e ordenar aos soldados vários assassinatos, entre eles a execução da “antiga rainha de Ruanda, Rosalie Gicanda, uma figura simbólica para todos os tutsis”, afirma a nota.

Antes, Judith Nabakooba, porta-voz da Polícia ugandense, disse à Agência Efe que Nizeyimana foi detido ontem no hotel Executive Inn, em Campala, onde estava escondido e de onde pretendia chegar ao Quênia.

Nabakooba afirmou que Nizeyimana chegou a Campala em 1º de outubro e que entrou no país a partir da República Democrática do Congo (RDC) pela passagem fronteiriça de Bunagana, com documentação falsa em nome de Kawogo.

Na noite passada, Nizeyimana “dormiu na delegacia de Jinja Road e hoje foi transferido para ser julgado em Arusha”, onde fica o Tribunal Penal Internacional para Ruanda.

O responsável policial disse que Nizeyimana ficou à disposição do tribunal internacional e voou hoje do aeroporto de Campala a Arusha em um avião das Nações Unidas.

O detido pertencia ao círculo próximo do presidente Juvénal Habyarimana, cujo assassinato foi o estopim para o genocídio ruandês e era um dos mais procurados pelo tribunal de Arusha, organismo criado pelas Nações Unidas.

O Tribunal Penal Internacional para Ruanda devia ter acabado os julgamentos em 2008, mas depois ganhou dois novos prazos, o primeiro até o final de 2009, que depois foi ampliado para dezembro de 2010.

Em 27 de novembro de 2000, o tribunal para Ruanda processou Nizeyimana e pediu sua detenção por genocídio e crimes contra a humanidade, e os Estados Unidos ofereceram US$ 5 milhões por informações que levassem a sua captura.

O assassinato do presidente da etnia hutu Habyarimana, que morreu junto com o líder do Burundi, Cyprien Ntaryamira, após o avião onde viajavam ser derrubado sobre em abril de 1994, marcou o início de uma perseguição que durou 100 dias, na qual morreram 800 mil tutsis e hutus moderados, segundo números da ONU.

Ao final dos 100 dias, as milícias tutsis da Frente Patriótica de Ruanda ocuparam Kigali e assumiram o Governo, que hoje está nas mãos do líder tutsi Paul Kagame, que preside Ruanda com um regime no qual seu partido controla o poder com a colaboração de alguns grupos satélites.

Calcula-se que entre 1,5 milhão e 2 milhões de hutus ruandeses abandonaram o país e se refugiaram nos países vizinhos, o que gerou vários conflitos desde então.

Muitos dos supostos responsáveis do genocídio ruandês atravessaram a fronteira e se instalaram na República Democrática do Congo (RDC), onde se reagruparam em organizações guerrilheiras, especialmente na Força Democrática para a Libertação de Ruanda (FDLR), com a qual Nizeyimana esteve envolvido.

Atualmente, as forças da RDC e de Ruanda colaboram para colocar fim à FDLR, que durante anos realizou ataques em ambos os lados da fronteira e que, segundo o Governo de Kagame, esteve protegido e apoiado pela Administração de Kinshasa, liderada pelo presidente Joseph Kabila.

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