As negociações entre Irã e Omã sobre o Estreito de Ormuz estão progredindo, segundo um oficial dos Estados Unidos. Em entrevista à Reuters na sexta-feira, 7, ele disse que Washington espera um “acordo em breve”.
O avanço, porém, não significa necessariamente a reabertura completa da passagem marítima. Segundo a agência iraniana Fars, Teerã rejeita a interpretação do governo de Donald Trump de que a rota temporária equivaleria à normalização do tráfego no estreito. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a reabertura depende de condições adicionais.
Ainda segundo a fonte ouvida pela Reuters, os Estados Unidos devem suspender o bloqueio aos portos iranianos caso um acordo seja anunciado para restabelecer a navegação comercial sem restrições. O Irã, porém, nega que a rota temporária em negociação represente a reabertura completa do estreito.
“Como sempre, as ações dos EUA continuarão sendo baseadas no desempenho e atreladas ao cumprimento dos compromissos pelo Irã” informou o oficial.
O estreito fica entre as águas territoriais de Teerã e Mascate. O Irã fica ao norte da passagem marítima, enquanto a Península de Musandam, que pertence a Omã, fica ao sul.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, em fevereiro, o estreito enfrenta restrições à navegação após um bloqueio iraniano imposto em resposta a ataques americanos.
Irã tenta impor condições para reabertura do Estreito de Ormuz
Segundo a emissora árabe Al Jazeera, o Irã está tentando exercer um nível de controle e autoridade sobre o Estreito de Ormuz, afirmando que a situação no estreito “não voltará a ser o que era antes da guerra”.
A reportagem publicada neste sábado, 8, ouviu duas fontes: um porta-voz do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e o ministro das Relações Exteriores do país.
Segundo as fontes, a reabertura do Estreito de Ormuz é condicional, e não automática. Isso significa que um acordo entre Omã e Irã não abre necessariamente caminho para a reabertura da passagem.
Um segundo ponto foi a rejeição do Sistema de Separação de Tráfego, a rota pela qual navios e embarcações podem transitar por esse gargalo marítimo de importância estratégica. Os iranianos estão dizendo que haverá uma nova rota e que as coordenadas geográficas foram acordadas entre Omã e o Irã.
O Irã afirma que isso deve ser conduzido de forma bilateral, rejeitando firmemente qualquer intervenção de terceiros. Ainda segundo o Al Jazeera, o Irã tenta consolidar controle sobre o estreito, não apenas como uma via marítima comercial, mas como um ponto de pressão, estrategicamente falando.
Trump diz que acordo ‘poderia acontecer’
Questionado na terça-feira, 4, sobre a possibilidade de um anúncio de acordo sobre o estreito, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que isso “poderia acontecer”.
“Pode acontecer. Amanhã ou depois de amanhã”, disse Trump. “Muitos progressos foram feitos.”
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, reconheceu, na quarta-feira que pode parecer que Washington não está avançando nas negociações com o Irã. Ele classificou o esforço para encerrar a guerra como “complicado” e afirmou que o processo “levará algum tempo”.
Em entrevista à emissora Fox News, Vance disse que os iranianos são “pessoas extraordinariamente difíceis” e afirmou que os esforços para resolver o conflito às vezes exigem recuos antes de avançar.
Estadão Conteúdo