Independentemente da possibilidade de o Irã construir a bomba atômica, as potências não querem acordo com que envolva o direito daquele país do Oriente Médio de enriquecer urânio, na opinião do professor do curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Eduardo Vidigal.
“A bomba ainda não está no horizonte, mas a possibilidade de enriquecimento de urânio naquela região estabelece uma nova configuração política e é isso que a chamada comunidade internacional não quer”, comentou Vidigal.
Para ele, nesse novo contexto, países como Estados Unidos, França, Reino Unido e Alemanha temem que fique provado o equívoco das sanções anteriores impostas pelo Conselho de Segurança da ONU a Teerã.
Com a mediação do Brasil ao lado da Turquia, o Irã fechou na manhã de hoje (16) acordo de troca de urânio pouco enriquecido pelo produto enriquecido a 20%. O acordo prevê que o Irã envie 1,2 mil quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou na França. Essa quantidade seria suficiente para a produção de isótopos médicos em seus reatores, mas está muito abaixo dos 90% necessários para a fabricação da bomba.
O urânio enriquecido seria devolvido ao Irã no prazo de um ano e o acordo prevê que a troca acontecerá na Turquia sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica e vigilância iraniana e turca.
Para o professor Vidigal, o acordo marca uma disposição do Irã para o diálogo. “Não temos nesse contexto um Irã que pode ser acusado de não estar disposto à cooperação. Temos um país disposto ao diálogo”, destacou o professor.
O professor avaliou ainda que o brasil avançou em termos diplomáticos por ter se posicionado com base no diálogo, sem ferir os princípios acordados com a comunidade internacional.