O juiz Humberto Palacios, de Tegucigalpa, ordenou hoje a prisão de Rasel Tomé, ex-presidente da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) hondurenha, que acompanha o chefe de Estado deposto Manuel Zelaya na Embaixada do Brasil em Honduras, informaram fontes judiciais.
Palacios emitiu a ordem “à revelia” de Tomé, que deveria se apresentar hoje à Justiça hondurenha a pedido do Ministério Público. Ele tem contra si medidas cautelares – que supostamente teria violado – segundo as quais não pode deixar Honduras e, por isso, precisa comparecer periodicamente diante do juiz.
Em declarações à Agência Efe, porta-vozes do Poder Judiciário e do Ministério Público hondurenhos disseram que Tomé enviou seus advogados, mas “deveria” se apresentar pessoalmente à reunião com o magistrado.
O tribunal ditou as medidas cautelares contra Tomé no processo do qual é alvo por abuso de autoridade em uma disputa entre dois empresários locais pela concessão de um canal de televisão por parte da Conatel.
Tomé já não era presidente da Conatel em 28 de junho, quando Zelaya foi derrubado.
O porta-voz do Ministério Público hondurenho, Melvin Duarte, disse que a revisão das medidas cautelares foi pedida por considerar como ilegal uma permissão de cinco dias dada pelo juiz a Tomé para que viajasse à Nicarágua para se reunir com Zelaya semanas antes do retorno do presidente deposto a Tegucigalpa, em 21 de setembro.
Além disso, o ex-presidente da Conatel não se apresentou ao tribunal nas últimas semanas, acrescentou Duarte, segundo o qual caso a citação de hoje tivesse sido atendida, “não haveria necessidade da ordem de captura”.
Em breves declarações a uma rádio local, Tomé afirmou que não era “necessário” que ele se apresentasse pessoalmente à reunião com o juiz.
A audiência era “para discutir a medida cautelar que eu tenho, que é a proibição de sair do país, e que não descumpri”, sustentou.