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Ações de Trump nas Américas favorecem avanço russo na Ucrânia, diz historiador

A invasão à Venezuela e ameaças a outros países distraem os EUA, permitindo que a Rússia avance contra Kiev

Redação Jornal de Brasília

09/01/2026 16h55

Foto: SAUL LOEB / AFP

Foto: SAUL LOEB / AFP

As ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como a invasão à Venezuela e ameaças contra Colômbia, Groenlândia e México, estão favorecendo o avanço militar da Rússia na Ucrânia, avalia o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Os EUA estão muito ocupados com aquilo que o Marco Rubio chamou de hemisfério ‘deles’. Então, é possível que isso dê uma autorização tática para a Rússia liquidar de vez o problema ucraniano”, afirmou Silva. Ele destaca que o mundo inaugura uma nova ordem internacional de “cada um por si”.

Na última noite, a Ucrânia sofreu um amplo ataque russo com drones e o míssil hipersônico Oreshnik, que atinge até dez vezes a velocidade do som e não pode ser detectado pelos sistemas de defesa. Trata-se da segunda utilização dessa arma por Moscou contra Kiev.

Silva aponta que Trump se empoderou com a ação na Venezuela e pode expandir ambições para a Groenlândia e até expedições terrestres no México. Isso coincide com a estratégia de segurança nacional dos EUA, que reafirma a proeminência de Washington no Hemisfério Ocidental, visto como recado a rivais como a China.

O analista militar Robinson Farinazzo, oficial da reserva da Marinha do Brasil, alerta que as ambições de Trump pela Groenlândia colocam a Europa em posição delicada. “O Trump querendo a Groenlândia, de um lado, e os russos atacando do outro. Com uma arma sofisticada dessa, alguns líderes europeus vão ter que pensar duas vezes”, comentou.

Farinazzo ressalta que a OTAN não possui equipamentos para interceptar o míssil Oreshnik e que a aliança está em risco com as ameaças de Trump, além de divisões internas, como as ambições turcas no Oriente Médio. “A Europa não pode brigar em duas frentes. Se o Trump tomar a Groenlândia à revelia da Europa, acabou a OTAN”, acrescentou.

Para Silva, o ataque hipersônico foi um aviso de Vladimir Putin à Europa, que tem dificultado acordos de paz e estaria envolvida em ataques a alvos russos, como uma residência de Putin, com assessoria britânica. Ele avalia que os EUA não barrarão o avanço russo na Ucrânia, mas podem retaliar em outros fronts, como os Brics ou o mercado de petróleo.

No campo de batalha, a Ucrânia se fragiliza diariamente, com 20% a 25% de seu território ocupado pelas tropas russas, incluindo o Corredor de Odessa, vital para a exportação de grãos. Silva critica o bloqueio de notícias sobre vitórias russas pelas agências ocidentais.

Farinazzo pondera que a Rússia investe em uma guerra de desgaste para neutralizar o exército ucraniano, sem avanços rápidos para evitar baixas elevadas, dada a eficiência dos sistemas defensivos de Kiev. Assim, o conflito pode se prolongar indefinidamente. As informações foram retiradas da Agência Brasil.

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