O opositor afegão Abdullah Abdullah considerou hoje “ilegal” a decisão da Comissão Eleitoral de proclamar Hamid Karzai como vencedor das eleições e descartou a possibilidade de se juntar a seu Governo.
O ex-ministro de Exteriores, em seu primeiro comparecimento público desde que Karzai renovou seu mandato, disse que se integrar ao Executivo do presidente “não é uma opção”.
Perguntado sobre que papel desempenhará agora no cenário político afegão, Abdullah disse que agirá como “grupo de pressão” para tentar trazer mudanças ao Afeganistão, mas não esclareceu se pretende formar um partido.
O opositor insistiu em que a Comissão Eleitoral “não é um órgão legal”, por isso a proclamação de Karzai como presidente na segunda-feira também não é.
“Não aceito esta decisão”, reiterou Abdullah, que negou que tenha previsto ir aos tribunais, já que estes também não são independentes, segundo ele.
Questionado pelos jornalistas sobre se o novo Governo que será formado agora terá legitimidade, Abdullah respondeu: “deixo que o povo afegão julgue sobre isso”.
A Comissão Eleitoral declarou Karzai presidente na segunda-feira, apenas algumas horas depois de Abdullah anunciar a retirada de sua candidatura para o segundo turno das eleições presidenciais, prevista para o dia 7 e já desconvocada.
No primeiro turno, Karzai tinha conseguido 49,67% do apoio, depois que centenas de milhares de votos foram cancelados por fraude.
Para justificar seu abandono, Abdullah tinha denunciado que a maquinaria da fraude continuava intacta diante do segundo turno.