O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, quer fazer uma emenda ao protocolo econômico dos Acordos de Oslo, assinado com Israel em 1994, por considerá-lo “injusto” e um impedimento ao desenvolvimento econômico dos territórios ocupados.
“Queremos reabrir o acordo econômico de Paris para emendá-lo porque não é justo e impõe muitas restrições a economia palestina, impedindo seu crescimento”, disse à imprensa no avião que o levava de Nova York à Jordânia, segundo a agência oficial palestina Wafa.
Abbas, em seu retorno neste domingo a Ramala a partir de Amã após apresentar na sexta-feira na ONU o pedido de ingresso da Palestina como Estado, acredita que “com o protocolo de Paris não é possível desenvolver a economia e os territórios” palestinos.
“Nosso objetivo é acabar gradualmente com a dependência da ajuda internacional”, assinalou Abbas ao ressaltar a necessidade de desenvolver a produção industrial e agrícola palestina.
Os protocolos de Paris são um anexo aos Acordos de Oslo (1993) que estabelece as relações econômicas entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) durante a fase de cinco anos até a assinatura de um acordo completo de paz em 1999, que nunca chegou a ocorrer.
Entre outros temas determina que Israel cobre taxas e alfândega para repassar à Autoridade Nacional Palestina (o que congelou em algumas ocasiões como represália), o acesso palestino ao mercado de trabalho israelense com um sistema de permissões e restrições ao comércio palestino com o restante do mundo.
Um dos principais assessores presidenciais, Mohammed Shtaye, denunciou neste domingo os descumprimentos israelenses de “partes do acordo”, como ter “ignorado” as cláusulas sobre “livre movimento de pessoas e bens” entre os dois territórios.
Shtaye, analista em economia palestina, afirmou à edição digital do jornal “Yedioth Ahronoth” que o pedido de emenda não foi abordado com Israel simplesmente pela ausência de negociações.
“Não acho que a demanda vá piorar a situação entre as partes. É natural que os acordos econômicos sejam revisados e atualizados de vez em quando. Estes acordos simplesmente não estão sendo aplicados completamente”, assinalou.
Abbas antecipou que planeja manter conversas intensas com o movimento islamita que governa Gaza, o Hamas.
O diálogo será centrado nas futuras ações palestinas e no acordo de reconciliação que assinaram em junho no Cairo Hamas e Fatah (a facção liderada por Abbas) e que segue pendente de aplicação.
Abbas ressaltou que os dois movimentos, os mais fortes na sociedade palestina e que se enfrentam desde 2007, não formarão um Governo de união nacional com repartição de representantes, mas acordarão os nomes de “um Governo de transição formado por tecnocratas independentes”.