Em discurso em Buenos Aires, Abbas destacou as “boas intenções” do presidente americano para que palestinos e israelenses retomem as conversas de paz.
O líder palestino disse, em uma conferência perante o Conselho Argentino para as Relações Internacionais (Cari), que Obama “demonstrou que quer a paz” quando falou a favor de que Israel freie a expansão de seus assentamentos nos territórios palestinos.
“Mas, se me perguntam se Obama fez tudo o possível, digo que até agora não fez tudo o possível. Precisamos que pressione Israel para que freie pelo menos os assentamentos e aceite a visão de dois Estados, como diz o Mapa do Caminho”, disse Abbas.
“Ninguém pode impor a Israel, ou pressionar Israel ou obrigar Israel, só o presidente Obama e os Estados Unidos”, disse.
Em vários trechos de seu discurso, Abbas reivindicou que Israel assuma os compromissos assumidos no Mapa do Caminho, o plano de paz elaborado em 2003 pela comunidade internacional e aceito pela ANP e Israel, cujo presidente, Shimon Peres, visitou a Argentina na semana passada.
Essa iniciativa estipula que Israel deve parar toda atividade nos assentamentos no território ocupado e permitir a reabertura de instituições palestinas em Jerusalém Oriental.
Além disso, deve retirar suas forças dos territórios controlados pela ANP, entre outros compromissos do plano que foram incluídos em uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
“O mundo tem que fazer seu papel, e os Estados Unidos têm que assumir suas responsabilidades: a paz não é só para o Oriente Médio. A paz no Oriente Médio é a chave para a paz em outros lugares, como Afeganistão, Paquistão, Iraque, Chifre da África”, disse.
Na última atividade oficial de sua visita de dois dias à Argentina, Abbas reiterou que não se apresentará às próximas eleições presidenciais.
“O processo de paz pode reiniciar sem mim. A questão não depende de uma pessoa e eu não sou o único que quer a paz: 80% dos palestinos querem a paz. De modo que qualquer pessoa que ocupe meu lugar seguirá o diálogo para o processo de paz”, disse.