O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, defendeu hoje perante o Conselho Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) sua convocação de eleições para janeiro, sem fechar as portas para uma reconciliação com o Hamas.
Em seu discurso como líder da OLP, Abbas justificou a convocação eleitoral – apesar das profundas divergências com o movimento islâmico rival Hamas – devido à “obrigação constitucional” de fazer a convocação três meses antes do fim do mandato parlamentar.
Além disso, negou que seja uma manobra para forçar o Hamas a selar um acordo de reconciliação, que mediadores egípcios patrocinam há mais de um ano e que na semana passada só o Fatah assinou.
“Não fazemos cálculos táticos quando convocamos eleições”, disse Abbas, acrescentando que a “mão continua estendida para um acordo (de reconciliação) interpalestino”.
Abbas fez estas declarações na cidade cisjordaniana de Ramala no primeiro dia da reunião do Conselho Central da OLP (elo entre o Comitê Executivo e o Conselho Nacional Palestino – ou “Parlamento no exílio”- da organização), que terminará amanhã e no qual se debate a convocação eleitoral.
Três temas centrarão a agenda do encontro: a política israelense de “judaização” de Jerusalém Oriental e de colonização do território palestino; o relatório Goldstone, o processo de reconciliação interpalestino e a convocação de eleições e, por último, a reativação das instituições da OLP.
Ontem, Abbas convocou eleições legislativas e presidenciais para 24 de janeiro em Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Gaza, com a incógnita de como será organizarão no último território, controlado pelo Hamas, contrário à convocação e que não faz parte da OLP.