O Executivo terá sede na Cisjordânia e não incluirá membros do movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, precisou Abbas, em um encontro público em Ramala com dirigentes e membros do movimento que lidera, o Fatah.
O atual primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, continuará à frente do Governo, que foi formado em junho de 2007, após homens do Hamas expulsarem de Gaza as forças de segurança leais a Abbas.
Fontes do Fatah apontaram, sob condição de anonimato, que o “novo Governo ampliado será declarado nas próximas horas”, enquanto o ministro do Planejamento da ANP, Samir Abdullah, reconheceu contatos extra-oficiais de último momento para tentar convencer outras facções a participar do Executivo.
Abbas ressaltou, no entanto, que a reforma governamental não implica o fim do diálogo de reconciliação que seu grupo e o Hamas mantêm no Egito há meses.
Nesse sentido, Fayyad apontou que “o novo Executivo se centrará em criar a atmosfera apropriada para que o diálogo de reconciliação interna triunfe até que se alcance um acordo” e em “ajudar a reconstruir a Faixa de Gaza”, após a ofensiva israelense de dezembro e janeiro passados.
“O novo Governo continuará com suas responsabilidades nacionais aliviando as dificuldades e o sofrimento do povo em Gaza”, indicou o premiê em comunicado, após a reunião semanal do conselho de ministros.
O porta-voz do movimento islâmico, Fawzi Barhum, criticou a ideia porque, para ele, “aumenta a divisão” entre os diferentes grupos palestinos e “estimula o caos”.
“A decisão não traz boas notícias, mostra má intenção e apoia o sentimento de que não há desejo de alcançar um acordo de reconciliação”, afirmou Barhum em comunicado.
O Hamas vê o anúncio de um novo Executivo como um “enterro prematuro” do diálogo de reconciliação no Cairo, onde ambos os grupos acordaram formar um Governo de união nacional, embora sigam negociando seus integrantes e programa político.
O movimento islâmico considera ilegal o Governo de Fayyad, porque não foi submetido à votação no Parlamento, onde o Hamas tem maioria devido a sua vitória nas eleições legislativas há três anos.
Abbas insiste que o Executivo reformado dará lugar ao de união nacional assim que a formação estiver plenamente definida entre as diversas facções palestinas.
A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e a Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP) também não receberam com entusiasmo o anúncio, ao considerar que um Governo assim nunca contaria com o consenso real da sociedade da região.
Para Kayed el-Gül, destacado líder da FPLP em Gaza, a decisão é um “passo prematuro” que “desmantelará o diálogo” no Cairo, onde representantes do Fatah e do Hamas abrirão no próximo dia 16 a quinta rodada de negociações.
Já o presidente do comunista Partido do Povo, Bassam Salhi, pedirá a Abbas que espere para “ver os resultados da próxima rodada de diálogo” entre Fatah e Hamas antes de anunciar o novo Governo.