“Nós precisamos de todos aqueles que possam dizer ao Governo de Israel que está errado e que deve retroceder em sua política expansionista”, sustentou Abbas durante um almoço com a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, em sua visita a Buenos Aires.
O presidente da ANP, que chegou neste domingo à Argentina para uma visita de dois dias, considerou que “o que Israel faz é muito perigoso”, em alusão à instalação de assentamentos em territórios reivindicados pelos palestinos e ao impedimento à entrada destes e de muçulmanos em Jerusalém.
Abbas também pediu que os EUA e “toda a comunidade internacional” ajudem a “interromper totalmente” os assentamentos israelenses como condição para avançar nas negociações de paz.
“O que pedimos ao (presidente americano,) Barack Obama, e a toda a comunidade internacional, é que os assentamentos israelenses sejam interrompidos, inclusive em sua evolução natural”, disse em entrevista coletiva conjunta com Cristina Kirchner depois de uma reunião de pouco mais de uma hora.
O próprio Obama sustentou na semana passada que a construção de 900 casas para colonos em um bairro de Jerusalém situado a leste da fronteira entre o território israelense e palestino internacionalmente aceita dificulta o processo de paz e poderia ser “um perigo”.
“Pedimos também que se respeite o que tínhamos acordado com o Governo israelense anterior, de voltar às fronteiras de 1967”, antes da chamada Guerra dos Seis Dias, acrescentou Abbas.
“Se esses dois pontos forem respeitados, as negociações serão fáceis”, afirmou Abbas, que vem de uma visita ao Brasil, durante a qual pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que contribua com a busca da paz no Oriente Médio.
Cristina também considerou que os EUA podem “fazer mais” para avançar nas negociações de paz no Oriente Médio e disse que a Argentina “está disposta a contribuir” neste processo por meio da União de Nações Sul-americanas (Unasul).
“Nós temos um firme convicção com todos os países da Unasul de construir uma região de paz e defender a paz no mundo”, destacou a governante durante o almoço realizado após a reunião em Buenos Aires.
Cristina ratificou seu apoio à criação de um Estado palestino, reivindicou que o direito internacional seja respeitado e pediu a retomada das negociações do “Mapa de Caminho”, em referência ao plano de paz elaborado pela comunidade internacional e aceito pela ANP e por Israel em 2003.
Segundo o mapa, o Estado judeu deve cessar toda atividade nos assentamentos nos territórios ocupados, permitir a reabertura de instituições palestinas em Jerusalém Oriental e retirar suas forças das áreas controladas pela ANP.
A presidente argentina também transferiu a Abbas os desejos de paz no Oriente Médio expressados pelo presidente de Israel, Shimon Peres, durante sua visita à Argentina, na segunda-feira passada.
Por sua parte, Abbas reiterou que os palestinos escolheram o “caminho da paz” e negou que planejem uma nova intifada, como disse na semana passada o jornal de língua árabe “Hadith Anas”.
Nesta terça-feira, o presidente da ANP visitará o Parlamento da Argentina, país no qual residem 360 famílias palestinas, e viaja para o Chile, onde se encontra a maior comunidade palestina da América Latina.