João Paulo Mariano
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Pode ser que tenha gente que não saiba o que ele é, mas vai se lembrar dele quando tentar comprar algo e não conseguir. O Score do Serasa é, muitas vezes, o vilão que impede de obter aquele crédito imobiliário, o financiamento do carro ou até a liberação do cartão de crédito. Em uma escala de 0 a 1000, o brasileiro médio apresenta média de 515 no escore, que especialistas afirmam não ser o suficiente para demonstrar segurança financeira ao mercado.
Os dados são do Serasa Consumidor e obtidos com exclusividade pelo Jornal de Brasília. Eles mostram que tanto os brasileiros em geral quanto os brasilienses apresentam um índice mediano. O score médio da população do DF é de 529. Na separação por gênero, as mulheres levam a melhor: com índice médio em 530, elas se mostraram melhores pagadoras do que eles, que obtiveram 528.
A média de score fica próxima em todas as faixas etárias. A variação entre as diferentes idades é de apenas 10% na capital. Já os números nacionais não apresentaram nenhuma diferença mesmo na separação por gênero: todos ficaram em 515. Quando se fala de idade a diferença média entre as várias faixas fica em 5% – menor que a do DF.
O Score nada mais é que um índice que informa o risco de as pessoas não pagarem as suas contas em dia nos próximos 12 meses. A conta é feita levando em consideração o que se pagou nos últimos meses, os gastos com cartões, financiamentos e o cadastro positivo. Este último é uma possibilidade do consumidor mostrar que sempre paga em dia. Ele não leva em consideração o salário de cada um – assim pessoas que ganham muito podem ter índices baixos.
O gerente do Serasa Consumidor, Eduardo Castro, indica que o dado tem a importância de retratar a história do crédito da pessoa. “Para o mercado, é uma espécie de regulação. Claro, não é a única. Com ele, é possível fazer uma análise de risco mais equilibrada e evitar que a pessoa se envolva em mais dívidas”, explica.
O gerente do Serasa consumidor analisa que, se o score ficar entre 700 e mil, pode ser considerado de bom a ótimo. Em geral, essas pessoas têm bom histórico de pagamentos e, por isso, provavelmente, conseguirão crédito em praticamente todo lugar. Abaixo de 700 e acima de 300, a pontuação é considerada média. Nem sempre essas pessoas conseguirão o que querem das financeiras, mas suas chances são altas, a depender do caso.
Quem estiver abaixo de 300, não é considerado bom pagador e pode ter todos os pedidos de crédito ignorados. Essa é a situação do empresário John Cidney Brito de Souza, 27. No momento, ele só sente saudades de quando o seu score ficava acima de 900, há dois anos, porque o seu índice, atualmente, é menor que sua idade: apenas 22.
Ele avalia que a situação começou a ficar complicada quando a crise financeira chegou, Ficou difícil controlar as contas de casa e da sua empresa de informática e segurança eletrônica. As consequências de score tão baixo não são nada boas para seu negócio. “Eu nunca consigo nenhum tipo de crédito nem financiamento. Já tentei linha de crédito e me disseram não. O mesmo quando quis um cartão de crédito. Não dá para fazer nada financeiramente”, lamenta.
Para amenizar, a esposa de John, Jéssica Rosa, que tem pontuação pouco acima de 600, tenta comprar o que for necessário para que a empresa não fique desprovida.

Com score baixo, John Cidney tem dificuldade de obter financiamentos e fazer outros acertos bancários. Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasilia
Não basta apenas limpar o nome na praça
Lucas Jonathan de Oliveira, 22, é sócio de John Cidney na empresa de informática e também está na luta de subir seu score, que está em 320. Até porque na última vez que tentou comprar uma passagem aérea no carnê não obteve sucesso. “Eu quero fazer de tudo para aumentar. É muito importante para minha empresa. Eu estava com o nome sujo e limpei para tentar melhorar isso, mas ainda não mudou quase nada”, afirma.
O empresário alega que as pessoas não prestam atenção no score ou nem sabem dele porque não se atentam a falta que ser considerado um bom pagador faz.
Depois que descobriu as dificuldades representadas por uma pontuação baixa, ele falou sobre o assunto com os amigos e alerta para que ninguém faça uma dívida que não consiga pagar.
Em Brasília, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Câmara de Dirigentes Lojistas do DF (CDL-DF), o número de inadimplentes aumentou 8,82% em junho deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Mais que o dobro do índice apresentado no Brasil (4,07%).
Para o economista Francisco Rodrigues, não se pode colocar a culpa dessa inadimplência na falta de dinheiro, mas sim na falta de controle financeiro que faz com que mesmo pessoas com estabilidade financeira devido ao funcionalismo público enfrentem esses problemas.
Ele ainda analisa que a média do score brasiliense de 529 não é adequada para o perfil dos moradores da Capital.
“Aqui temos muitos servidores públicos. Um índice satisfatório seria entre 800 a mil. As pessoas precisam adquirir educação financeira para usar melhor a renda”, afirma. Para ele, as instituições financeiras deveriam divulgar mais esses índices porque “bons pagadores geram um comércio mais saudável, com menos prejuízo”.
Entenda
Confira as dicas
PAGUE CONTAS E ACOMPANHE
Não existe uma receita automática de mudança, mas com modificação de hábitos, índices melhores podem ser obtidos.
Regularização: Pague todas as contas. Não fique com o nome sujo. Um inadimplente não vai conseguir índices melhores.
Atualização: é importante atualizar os dados junto ao Serasa Consumidor para garantir que informações sobre pagamentos de contas e salários estejam em dia.
Cadastro positivo: essa alternativa deve ser utilizada para mostrar ao mercado que a pessoa tudo da forma correta.
Acompanhamento: olhe seu score com frequência. É de graça e pode ser feito pelo site www.serasaconsumidor.com.br, clicando então em score/. Após um credenciamento rápido será possível verificar as informações.