Menu
Economia

Você já comprou só para impressionar?

Arquivo Geral

25/10/2013 8h35

Levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que 47% dos consumidores brasileiros já pagou por algum produto que não usou. Foram ouvidos 610 entrevistados nas 27 capitais com alocação proporcional ao tamanho da População Economicamente Ativa (PEA). A margem de erro, segundo o SPC, é de 4 pontos percentuais.

 

Isso acontece, segundo a pesquisa, porque o consumidor brasileiro tende a se preocupar com a imagem que transmite às pessoas do seu convívio, idealizando para si próprio um padrão de consumo que muitas vezes não corresponde ao orçamento pessoal.

 

Por esse motivo, segundo o SPC Brasil, três em cada dez entrevistados já se sentiram discriminados por um vendedor e acabaram comprando o produto para provar que tinham condições financeiras de arcar com o custo.

 

Outros 21% dos entrevistados disseram que costumam acompanhar familiares ou amigos a lugares que extrapolam seu próprio orçamento apenas para “não fazer feio”. Considerando apenas as classes C, D e E, o percentual é de 24%. Já entre as classes A e B, de 15%.

 

Dívidas

 

Seis em cada dez entrevistados admitem que já ficaram endividados por adquirir algum bem que não precisavam ter comprado. Dos ouvidos, 33% confessam que já deram um presente muito acima de seu orçamento apenas para impressionar o presenteado.

 

“Várias das conclusões do estudo reforçam a constatação de que o brasileiro tem satisfação em gastar o seu salário logo que recebe”, diz Flávio Borges, gerente do SPC Brasil.

 
Louca por sapatos
 
 Quem se enquadra bem na pesquisa é a manicure Jaqueline Lopes, 49 anos, que confessa ser refém do consumismo. “Amo sapatos e compro todo mês sem necessidade. Já me endividei muito e em função disso tive que cancelar o cartão de crédito. Hoje, só compro quando peço para alguns amigos comprarem com o cartão deles”, explica. Segundo ela, a chegada do neto fez com que o ritmo das compras diminuísse. “O meu desejo de comprar foi reduzido parcialmente. O que aconteceu é que optei por comprar menos sapatos e acabo comprando muitas coisas para ele”, relatou.
 
Um prazer que dói no bolso
 
Para Flávio Borges, o consumo impulsivo tem levado fatias expressivas da população ao descontrole do orçamento doméstico e a inadimplência. “Consumir é, sem dúvida, um ato de prazer. Porém, muitos pagam um alto preço pelo consumo por impulso, especialmente as camadas de menor renda”, afirma. 
 
“Falta uma política de maior difusão do consumo consciente, não somente para educar as pessoas que hoje estão tendo mais acesso a crédito, mas também para orientar as novas gerações desde cedo”, acrescenta o gerente do SPC Brasil.
 
A maior parte dos gastos declarados pelos entrevistados se refere a itens básicos de primeira necessidade, como alimentação (67%) e moradia (49%). Veículos correspondem a 35% dos gastos declarados, e roupas, 28%.
 
Para proporcionar momentos de lazer à família, o vigilante Edivaldo Alburqueque, conta que já comprometeu boa parte de seu orçamento. “Muitas vezes já sacrifiquei outras coisas para poder fazer alguns passeios ou ir em lugares legais. No fim do mês as coisas acabam apertando”, diz. Ele frisa que também já foi seduzido pelo que viu em algumas lojas, mas quando chegou em casa, se arrependeu. “Já comprei blusas que eu acabei nunca usando e o jeito foi passar para frente presenteando algum amigo”, confessa.
 
 
Números
 
21% costumam acompanhar amigos a lugares onde tudo é caro.
 
33% já deram presente que extrapolam seu perfil financeiro
 
67% dos gastos referem-se a itens básicos, como alimentação
 
 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado