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Economia

 Veja como ficam os investimentos em renda fixa após decisão do Copom

O especialista recomenda que se mude gradualmente o portfólio de investimentos conforme a Selic recua

Redação Jornal de Brasília

28/01/2026 19h50

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JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Mesmo com a perspectiva de queda da Selic nos próximos meses, como sinalizado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) em sua decisão de juros desta quarta (28), investidores devem continuar aproveitando produtos de renda fixa pós-fixada, que acompanham a taxa básica de juros, afirmam analistas.


“O nível de juros ainda é elevado e deve permanecer atrativo ao longo do ano, especialmente quando se considera a Selic média esperada para o período”, diz João Arthur, diretor de investimentos da Suno Consultoria -economistas projetam que a Selic termine 2026 a 12,25%.


“Mesmo em um cenário mais otimista, com a Selic convergindo para algo em torno de 10,9% ao ano, o juro real segue bastante relevante, considerando uma inflação entre 3% e 4%. Ou seja, ainda não se trata de uma Selic abaixo do nível neutro”, complementa Arthur.


O especialista recomenda que se mude gradualmente o portfólio de investimentos conforme a Selic recua, reduzindo a exposição pós-fixada e ampliando os títulos indexados à inflação. Para investidores mais arrojados, Arthur também indica títulos com prazos de vencimentos mais longos.


Rafael Pastorello, gestor de portfólio do Banco Sofisa, vai na mesma linha. “A migração para títulos prefixados ou atrelados ao IPCA costuma ganhar relevância justamente quando o ciclo de alta dos juros se aproxima do fim.”


RENTABILIDADE DA RENDA FIXA APÓS 6 MESES


Investimento – Valor bruto, em R$ – Rentabilidade líquida real, em %
CDB com liquidez diária, a 101,5% do CDI – 1.070,54 – 3,59
CDB/RDB/LC prefixados, a 14,65% ao ano – 1.070,75 – 3,61
CDB/RDB/LC, a 102,5% do CDI – 1.071,21 – 3,64
CDI – 1.069,53 – 3,51
Poupança – 1.040,43 – 2,02
Tesouro Selic 2028, a Selic + 0,05% – 1.145,40 – 9,25
Fonte: C6 Bank


Nesta quarta (28), título do Tesouro Direto IPCA+ com vencimento em 2029 oferecia um juro prefixado de 7,71%. O título para 2040 pagava IPCA + 7,26%.


Neste caso, o prazo escolhido muda o risco do investimento. Quando mais longe, mais arriscado, pois o título é mais volátil, com maiores oscilações no preço de mercado, o que pode levar à prejuízo em caso de resgate antecipado.


“A recomendação é concentrar-se em vértices intermediários, entre 2030 e 2035”, diz Arthur da Suno. Já para o investidor mais arrojado, ele diz ser possível avaliar vencimentos como 2045 ou 2050.


Os analistas também indicam os produtos isentos de Imposto de Renda atrelados ao CDI. Segundo levantamento do C6 Bank, LCI e LCA (letras de crédito imobiliário e do agronegócio) que rendem cerca de 90% do CDI oferecem uma rentabilidade líquida anual (considerando inflação e IR) de 8%. Enquanto siso, um produto a 100% do CDI que paga IR tem uma rentabilidade líquida real menor, de 6,93%.


“Hoje, já não é simples encontrar papéis com remuneração fixa próxima aos 15% porque a curva de juros já precifica o início do ciclo de cortes”, afirma Pastorello, do Sofisa.


RENTABILIDADE DA RENDA FIXA APÓS 1 ANO


Investimento – Valor bruto, em R$ – Rentabilidade líquida real, em %
CDB com liquidez diária, a 101,5% do CDI – 1.137,94 – 7,10
CDB/RDB/LC prefixados, a 14,15% ao ano – 1.141,50 – 7,38
CDB/RDB/LC, a 104% do CDI – 1.141,34 – 7,37
CDB/RDB/LC, a IPCA + 8,8% ao ano – 1.131,52 – 6,59
CDI – 1.135,90 – 6,93
LCI/LCA, a 90,63% CDI – 1.123,17 – 8,00
Poupança – 1.082,50 – 4,09
Tesouro Selic 2028, a Selic + 0,05% – 1.137,40 – 6,85
Fonte: C6 Bank


Arthur, da Suno, recomenda cautela com a renda fixa privada, já que a relação risco-retorno não está atrativo atualmente.


“A recomendação é evitar uma exposição ampla a esse tipo de ativo e adotar uma postura muito seletiva, priorizando qualidade de crédito e evitando correr riscos desnecessários em um cenário de prêmio pouco atrativo”, afirma o analista.


RENTABILIDADE DA RENDA FIXA APÓS 5 ANOS


Investimento – Valor bruto, em R$ – Rentabilidade líquida real, em %
CDB com liquidez diária, a 101,5% do CDI – 1.937,18 – 51,27
CDB/RDB/LC prefixados, a 14,50% ao ano – 1.968,01 – 53,48
CDB/RDB/LC, a 105,5% do CDI – 1.984,93 – 54,69
CDB/RDB/LC, a IPCA + 8,25% ao ano – 1.765,39 – 38,97
CDI – 1.919,51 – 50,00
Letra Financeira prefixada, a 14,65% ao ano – 1.980,94 – 54,40
Letra financeira, a 107,2% do CDI – 2.005,50 – 56,16
Letra financeira, a IPCA + 8,40% ao ano – 1.777,66 – 39,85
Poupança – 1.486,41 – 25,15
Tesouro Selic 2031, a Selic + 0,105% – 1.932,18 – 50,66
Fonte: C6 Bank


Para investidores arrojados, Pastorello recomenda a renda variável, que pode se beneficiar da queda na Selic.


“Com a queda do custo de capital, os valuations [avaliação de valor] das empresas se tornam mais atrativos, reforçando a tese de valorização do mercado acionário brasileiro -embora o ambiente siga sujeito à volatilidade típica de anos eleitorais”, diz o gestor.


Marcelo Freller, estrategista de investimentos do C6 Bank, lembra que a escolha dos investimentos depende mais do perfil do cliente do que das taxas em si.


“Para moderados e agressivos, estamos com uma visão bastante otimista para as taxas indexadas ao IPCA+. Para investidores mais conservadores, que gostam de ter os seus investimentos mais próximos do CDI, continuamos preferindo os títulos pós-fixados, que estão remunerando muito bem os investidores”, diz Freller.

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