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Economia

Vai receber o dinheiro que estava no Master? Veja orientações de especialistas sobre onde aplicar

Especialistas recomendam cautela na escolha de novos ativos após liberação dos valores pelo FGC

Redação Jornal de Brasília

13/01/2026 18h46

banco masterr

Foto: Divulgação

FOLHAPRESS

Em breve, R$ 41 bilhões serão distribuídos a 1,6 milhão de investidores do Banco Master pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Como mostrou a Folha de S.Paulo, o fundo está na reta final para realizar o pagamento aos que se encaixam na garantia e, segundo especialistas, os ressarcidos devem planejar em qual produto irão realocar o recurso.

“Esse evento foi muito traumático para algumas pessoas e deve gerar uma nova geração de investidores”, afirma João Arthur, diretor da Suno Wealth.

Ele prevê que o pagamento do FGC deve ser dos maiores choques de liquidez pulverizada do varejo financeiro em 2026.

“O volume e a dispersão desses recursos tendem a produzir efeitos estruturais sobre o mercado, ao acelerar a migração de fluxo para plataformas de investimento, fundos e Tesouro Direto, em detrimento de aplicações concentradas em CDBs de bancos médio”, afirma Arthur.

O especialista recomenda que os investidores realoquem o valor recebido do FGC em alternativas seguras, como títulos do Tesouro Direto atrelados à Selic (LFTs) ou títulos bancários de grandes bancos.

Para quem acomoda um pouco mais de risco, há o Tesouro IPCA+ (NTN-B) de prazos mais curtos, até 2035.

Apesar da expectativa de queda na Selic de 15% a 12,25% ao ano até dezembro, ativos pós-fixados seguem atrativos, afirmam analistas. Atualmente, produtos próximos de 100% do CDI estão entre os mais rentáveis do mercado.

“Mesmo se o cenário mais otimista, de queda da Selic para 11%, estiver certo, ainda é uma Selic muito alta”, diz Arthur.

Projeção do C6 Bank considerando o corte nos juros aponta que um CDB a 104% do CDI equivaleria a um ganho líquido real (contabilizando inflação e impostos projetados) de 7,47% em um ano.

Investimentos isentos de Imposto de Renda também estão entre os mais atrativos. LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio) a 91% do CDI rendem mesmos 7,47%

A rentabilidade final, porém, não deve ser o principal fator a ser levado em conta na hora de escolher onde alocar os recursos.

“Renda fixa não pode ser vista como a variável e escolhida apenas pela taxa. Com o caso Master fica uma lição muito grande para todos os investidores. A taxa alta deve ser vista como um sintoma. Por que um banco está pagando 140% do CDI em um CDB?”, diz Marcelo Silotto, planejador financeiro CFP pela Planejar.

Ele recomenda que, antes de investir o resgate do FGC, o investidor defina um objetivo para aquele valor no futuro. Se for reserva de emergência, é preciso estar no tesouro Selic ou em um CDB de banco grande de liquidez diária.

Se for um objetivo de médio, é possível se arriscar mais, como em títulos prefixados com vencimento em três a cinco anos. Caso o dinheiro seja de longo prazo, boas opções são títulos do Tesouro.

“A segunda pergunta do investidor deve ser: como está a sua carteira? Está diversificada? Alocar em diversos produtos é mais importante que a taxa de um único ativo”, afirma Silotto.

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