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Economia

Uma bolsa como a de Chicago para o DF

Arquivo Geral

12/07/2013 14h55

Várias capitais de outros países são também os principais centros financeiros dessas nações, assim como grande polos econômicos. Esse não é o caso de Brasília, que depende quase que exclusivamente do setor terciário, principalmente do serviço público, que representa 54,4% do PIB local.

 

Com o intuito de contribuir para o debate sobre a diversificação da estrutura produtiva do DF, a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) elaborou o estudo “Perfil e Perspectivas do Setor Financeiro em Brasília.

 

No trabalho, o órgão mostra que, apesar de abrigar dois grandes bancos estatais – Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal –, a capital do País não apresenta condições de se transformar em um grande centro financeiro. Para tanto, precisaria, por exemplo, desenvolver um forte conglomereado econômico/industrial e sediar as principais instituições financeiras nacionais e internacionais, o que está longe de acontecer.

 

Estatais

 

Qual a saída, então? A partir de uma avaliação inicial de possibilidades financeiras já existentes em Brasília, a Codeplan indicou dois nichos que teriam maior chance de dar certo: se tornar um centro mundial de operações com commodities agrícolas, com a criação de uma bolsa de mercadorias; e fortalecer o setor de previdência complementar fechada. Neste caso, aproveitando o expressivo potencial dos fundos de grandes empresas estatais aqui sediadas.

 

Na avaliação do presidente da Codeplan, Júlio Miragaya, as únicas grandes instituições e empresas locais relevantes são estatais. A premissa de que Brasília só tem vocação para ser um centro político e administrativo deve acabar, para tentar modificar essa estrutura econômica.

 

“Nós só teremos um setor financeiro importante se desenvolvermos atividades econômicas relevantes. Assim, conseguiremos atrair instituições que ajudem a fomentar melhor a economia local”, argumenta Miragaya.

 

Bom exemplo vem dos EUA

 

A Codeplan dá um exemplo que vem de fora: as operações com commodities agrícolas não são realizadas na Bolsa de Valores de Nova York, principal centro financeiro dos EUA, mas em Chicago,  polo da principal região agrícola norte-americana, o Meio Oeste. Seguindo esse exemplo, Júlio Miragaya defende que as operações nessa área no Brasil também se localizem na principal região agrícola do País, o Centro-Oeste, e que Brasília lute para sediar esse centro.

 

“Estamos levantando a bola para que haja um investimento político com o objetivo de aproveitar as oportunidades na área econômica da região e, assim, aumentar o número de empregos e da receita tributária”, explica.

 

O professor de economia da UnB Newton Marques entende que essa mudança não só seria  viável como  benéfica para a região. “Temos que provocar discussões, levantar hipóteses e acho essa proposta plausível”, elogia.

 

A segunda oportunidade de crescimento financeiro da região apontada pela Codeplan é a atuação voltada para a consolidação dos fundos de previdência complementar fechada em Brasília e a realização de investimentos desses fundos na Capital. “O DF tem uma expressão importante, aparece em terceiro lugar em números de fundos e responde por 17% dos ativos totais. Isso aqui é um nicho importante”, conclui Miragaya.

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