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Economia

Um ano após privatização, Sabesp cresce em receita mas enfrenta demissões e vazamentos

A companhia investiu R$ 10,6 bilhões desde julho de 2024, visando universalizar serviços até 2029, mas gerou mais de 2 mil demissões e críticas por terceirizações.

Redação Jornal de Brasília

20/03/2026 12h57

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Foto: Divulgação/Sabesp

A privatização da Sabesp, concluída em 23 de julho de 2024, completa um ano marcada por avanços em investimentos e receitas, mas também por controvérsias envolvendo demissões e problemas operacionais.

O processo, iniciado em 2021 após a aprovação do Marco do Saneamento, envolveu a venda de 32% das ações por R$ 14,7 bilhões, com a Equatorial Participações adquirindo 15% e o restante distribuído a pessoas físicas, jurídicas e funcionários. As ações, negociadas inicialmente a R$ 67, agora valem cerca de R$ 110 na bolsa.

Desde a privatização, a Sabesp investiu R$ 10,6 bilhões em um plano de R$ 70 bilhões até 2029, com meta de antecipar em quatro anos a universalização dos serviços de água e esgoto. A receita cresceu devido à ampliação da base de clientes, aumento no consumo e reajustes tarifários, com fluxo de caixa para acionistas subindo de R$ 1,18 bilhão em 2024 para R$ 1,95 bilhão no primeiro trimestre deste ano. O capital social aumentou de R$ 36,9 bilhões para R$ 38,3 bilhões.

No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema) critica a perda de controle público, que acelera terceirizações e demissões. Mais de 2 mil funcionários foram demitidos, com 1 mil no primeiro trimestre, muitos aderindo ao Plano de Demissão Voluntária por incerteza. O sindicato alerta para riscos de acidentes devido à redução de equipes de manutenção, citando vazamentos de esgoto na Rodovia Castelo Branco e na Represa do Guarapiranga.

Denúncias de cobranças abusivas levaram a pedidos de CPI na Câmara de Vereadores de São Paulo e investigações em Carapicuíba, embora sem conclusões. A empresa, por sua vez, destaca eficiência com novas tecnologias, como detecção de vazamentos por satélite, e estima gerar 40 mil empregos diretos e indiretos nos próximos dois anos. A distribuição de dividendos aumentará de 25% para até 100% a partir de 2030.

Em resposta a impactos sociais, o número de beneficiados pela tarifa social cresceu 70% desde o fim de 2024. Nesta quarta-feira (23), o governo de São Paulo anunciou o programa Tarifa Social Paulista, com descontos de 22% a 78% para famílias vulneráveis nos municípios atendidos pela Sabesp.

A fiscalização agora cabe à Arsesp, que atualizou normativos para monitorar metas de universalização, qualidade e investimentos. O primeiro relatório público sobre a nova concessão está previsto para o final de 2025.

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