ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS
O TCU (Tribunal de Contas da União) deu prazo de cinco dias para que a Caixa Econômica Federal reavalie a classificação de sigilo sobre documentação que trata de estudos e tratativas para uma eventual federalização do BRB (Banco de Brasília). Os papéis foram entregues ao órgão de controle.
O pedido se estende ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
No despacho, o ministro relator do caso, Bruno Dantas, disse que o prazo não pode ser prorrogado e que os bancos precisam apresentar justificativa específica para a manutenção do sigilo, indicando o fundamento concreto da imposição da classificação.
Dantas afirmou que a usência de manifestação no prazo estipulado ou a manutenção de justificativas genéricas serão interpretadas como anuência das instituições à reavaliação e à eventual reclassificação da restrição de acesso às informações.
Procurada, a Caixa ainda não respondeu ao pedido de informações da reportagem. O BNDES afirmou manter relação colaborativa com o TCU e disse que não realizou nenhum estudo referente à federalização do BRB.
“A política operacional do BNDES veda o apoio a investimentos e gastos de qualquer natureza a bancos, caixas econômicas e agências de fomento”, disse em comunicado.
Segundo pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem, a Caixa informou ao TCU que recebeu, no dia 28 de novembro de 2025, pedido de manifestação de interesse do BRB em realizar a venda de carteiras de crédito ao banco federal.
O pedido foi feito logo após a liquidação do Master pelo Banco Central, em 17 de novembro, e a troca de comando do BRB no rastro da operação Compliance Zero. A operação resultou na prisão, pela primeira vez, de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
Alvo das investigações da Polícia Federal, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi retirado do cargo.
No seu lugar, assumiu o ex-presidente da Caixa Nelson Souza, que tenta uma saída para o banco após as perdas com a compra de carteiras fraudulentas do Master. A crise no BRB exige um novo aporte de capital do governo do Distrito Federal, que ainda não foi feito.
De acordo com informações prestadas pela Caixa ao TCU, após o início de tratativas e um processo de análise das carteiras, o banco federal respondeu que não tinha interesse em dar seguimento ao processo.
O Banco do Brasil respondeu ao TCU que não tinha interesse na federalização e não pediu sigilo sobre a informaçã. O BNDES pediu que os dados ficassem sob reserva.
No final de fevereiro, Bruno Dantas deu prazo de 15 dias para Ministério da Fazenda, Caixa, BNDES e Banco do Brasil prestarem esclarecimentos sobre eventuais estudos, documentos e tratativas para uma federalização do BRB.
Na época, reportagem da Folha de S.Paulo revelou que a possibilidade de federalização passou a ser considerada nas negociações após o envolvimento do banco do governo do Distrito Federal no escândalo do Master.
Além de comprar carteiras de crédito fraudadas do Master, o BRB participou de uma tentativa fracassada de aquisição do banco de Daniel Vorcaro. Agora, enfrenta dificuldades para cobrir o prejuízo gerado.