Menu
Economia

TCU pede que Caixa retire sigilo de documento sobre eventual federalização do BRB

Tribunal cobra justificativas para sigilo em documentos sobre possível federalização do BRB

Redação Jornal de Brasília

25/03/2026 15h12

Foto: Reprodução

ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS

O TCU (Tribunal de Contas da União) deu prazo de cinco dias para que a Caixa Econômica Federal reavalie a classificação de sigilo sobre documentação que trata de estudos e tratativas para uma eventual federalização do BRB (Banco de Brasília). Os papéis foram entregues ao órgão de controle.

O pedido se estende ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

No despacho, o ministro relator do caso, Bruno Dantas, disse que o prazo não pode ser prorrogado e que os bancos precisam apresentar justificativa específica para a manutenção do sigilo, indicando o fundamento concreto da imposição da classificação.

Dantas afirmou que a usência de manifestação no prazo estipulado ou a manutenção de justificativas genéricas serão interpretadas como anuência das instituições à reavaliação e à eventual reclassificação da restrição de acesso às informações.

Procurada, a Caixa ainda não respondeu ao pedido de informações da reportagem. O BNDES afirmou manter relação colaborativa com o TCU e disse que não realizou nenhum estudo referente à federalização do BRB.

“A política operacional do BNDES veda o apoio a investimentos e gastos de qualquer natureza a bancos, caixas econômicas e agências de fomento”, disse em comunicado.

Segundo pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem, a Caixa informou ao TCU que recebeu, no dia 28 de novembro de 2025, pedido de manifestação de interesse do BRB em realizar a venda de carteiras de crédito ao banco federal.

O pedido foi feito logo após a liquidação do Master pelo Banco Central, em 17 de novembro, e a troca de comando do BRB no rastro da operação Compliance Zero. A operação resultou na prisão, pela primeira vez, de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Alvo das investigações da Polícia Federal, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi retirado do cargo.

No seu lugar, assumiu o ex-presidente da Caixa Nelson Souza, que tenta uma saída para o banco após as perdas com a compra de carteiras fraudulentas do Master. A crise no BRB exige um novo aporte de capital do governo do Distrito Federal, que ainda não foi feito.

De acordo com informações prestadas pela Caixa ao TCU, após o início de tratativas e um processo de análise das carteiras, o banco federal respondeu que não tinha interesse em dar seguimento ao processo.

O Banco do Brasil respondeu ao TCU que não tinha interesse na federalização e não pediu sigilo sobre a informaçã. O BNDES pediu que os dados ficassem sob reserva.

No final de fevereiro, Bruno Dantas deu prazo de 15 dias para Ministério da Fazenda, Caixa, BNDES e Banco do Brasil prestarem esclarecimentos sobre eventuais estudos, documentos e tratativas para uma federalização do BRB.

Na época, reportagem da Folha de S.Paulo revelou que a possibilidade de federalização passou a ser considerada nas negociações após o envolvimento do banco do governo do Distrito Federal no escândalo do Master.

Além de comprar carteiras de crédito fraudadas do Master, o BRB participou de uma tentativa fracassada de aquisição do banco de Daniel Vorcaro. Agora, enfrenta dificuldades para cobrir o prejuízo gerado.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado