Os efeitos negativos da crise financeira mundial que começou em agosto de 2007 serão em parte compensados com uma mudança na trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos, there na eurozona e no Japão, e com futuras injeções de liquidez por parte de seus bancos centrais.
Deste modo, e assumindo que os EUA evitarão a recessão e os mercados emergentes continuarão sua rápida expansão, a previsão de crescimento econômico mundial para 2008 e 2009 (medida em paridade de poder de compra) é de 4,6%, inferior às taxas de cerca de 5% em 2006 e 2007, segundo o último cálculo da revista britânica “The Economist”.
Caso a medição seja feita em taxas de troca de mercado (que enfatizam a posição dos países ricos e refletem melhor as taxas de troca), a previsão de crescimento mundial para 2008 cai para 3,2% (frente a uma estimativa de 3,8% para 2007), para depois subir a 3,3% em 2009 e estabilizar-se em cerca de 3,4% entre 2010 e 2012.
Com este último método de cálculo, a previsível diminuição do crescimento dos Estados Unidos no último trimestre de 2007 anteciparia uma queda do crescimento, de 2,1% no ano passado para 1,5% em 2008.
Deste modo, a revista situa o risco de recessão nos Estados Unidos durante este ano em cerca de 40%.
Além disso, rebaixa de 2,4% para 2% a previsão para 2009, ao considerar que a diminuição no mercado imobiliário e a crise creditícia se manterão no início do próximo ano.
A unidade de análise da “The Economist” espera que o Federal Reserve (Fed, banco central americano), corte em 0,75 ponto percentual a taxa de financiamento, frente à previsão anterior de uma diminuição de 0,50 ponto percentual.
A revista assegura que o arrefecimento econômico nos Estados Unidos terá um impacto no crescimento mundial.
Quanto à zona do euro, espera-se que seu crescimento caia para menos de 1,9 % em 2008 e que se mantenha em cerca de 2% nos anos seguintes.
A publicação também revisou sua previsão da evolução das taxas de juros na eurozona, e não espera nenhuma mudança durante o primeiro trimestre do ano, como conseqüência da preocupação do Banco Central Europeu (BCE) acerca das pressões inflacionárias no setor imobiliário.
Após um enfraquecimento “substancial” em 2007, a taxa de crescimento do Japão se manterá claramente abaixo da tendência registrada entre 2004 e 2006, como conseqüência de um fortalecimento da moeda, um menor investimento empresarial e um investimento imobiliário “vacilante”.
Por sua parte, os países emergentes, que tiveram um ano “excepcional” em 2006, e que mantiveram o bom desempenho em 2007, terão pela frente este ano um contexto menos propício para o crescimento.
No entanto, a “Economist” considera que a maioria destas economias estão em uma boa posição para superar o arrefecimento nos Estados Unidos e a crescente volatilidade nos mercados financeiros.
De todas as regiões em desenvolvimento, a região da América Latina será a mais afetada pela situação dos Estados Unidos, e se verá prejudicada pelas frágeis condições de financiamento.
O potencial de crescimento desta zona permanecerá reduzido pelas taxas de investimento relativamente baixas.
Além das previsões de crescimento por regiões, a “The Economist” também revisou a média do preço do petróleo Brent (referencial na Europa) durante 2008, de US$ 78 por barril para US$ 79,5, com um aumento no primeiro trimestre acima do esperado.