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Economia

Supermercados: operação no Brasil está ameaçada

Arquivo Geral

17/10/2009 0h00

Após negar a intenção de vender suas unidades nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, o grupo francês Carrefour anunciou que encerrará suas atividades na Rússia. A companhia, segunda maior rede de hipermercados do mundo, atrás apenas do Wal-Mart, justificou a atitude em virtude da “ausência de perspectivas significativas de crescimento no curto e médio prazos”.
O Carrefour está presente na Rússia desde 2008 e tem dois hipermercados, em Moscou (aberto há apenas quatro meses) e em Krasnodar. Na semana passada, o diário francês Le Monde divulgou que a venda da rede no Brasil estava sendo “seriamente considerada”, embora no País as vendas no terceiro trimestre tenham registrado alta de 14,2%, contra queda de 2,9%, no mesmo período, em termos globais.

Nos bastidores, fala-se que acionistas indignados com lucros considerados insuficientes pressionam a empresa a se desfazer de duas de suas maiores operações: China e Brasil, que crescem, em média, 16% ao ano, enquanto na Europa esse índice é próximo a zero.
No Brasil, onde é vice-líder no varejo, a rede conta com mais de 560 lojas, um colosso com faturamento de R$  22 bilhões. Com diminuição da receita nos mercados da França e do restante da Europa, o faturamento da rede no trimestre recebeu impulso das operações na Ásia e América Latina.

Mas, segundo o Le Monde, os maiores acionistas do grupo – Bernard Arnault, dono do conglomerado de luxo LVMH, e o americano Thomaz Barrack, controlador do fundo de private equity Colony Capital, que juntos detêm 13,5% de participação – estavam interessados em fazer caixa. Em nota, o Carrefour desmentiu que suas operações brasileira e chinesa estariam à venda.

Divisão
O mercado, porém, não acreditou. Isso porque, ao que tudo indica, o grupo francês está dividido entre os que querem resultados imediatos e os que querem uma ampliação internacional. Representantes de Arnault e Barrack, dizem,  continuam a conversar com a rede americana Wal-Mart, a maior varejista do mundo, sobre a possibilidade de venda do Carrefour no Brasil e na China. Um executivo próximo da negociação garante que ela será fechada até o final do ano.
No fundo dessa negociação está a crise financeira internacional, que derrubou o mercado imobiliário na Europa, onde estão os ativos mais valiosos do Carrefour. . No mesmo período, o valor das ações do grupo na bolsa caiu 36%, fazendo com que Arnault e Barrack tivessem um prejuízo de 1,2 bilhão de euros. “Os acionistas precisam encontrar uma forma de reaver o investimento”, explica um consultor de mercado.

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