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Economia

Startups de fusão nuclear batem recorde de financiamentos

Redação Jornal de Brasília

17/02/2026 14h49

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Divulgação/Porto de Santos

Ryohtaroh Satoh e Jamie Smyth
Folhapress


As startups de fusão nuclear concluíram um número recorde de rodadas de financiamento no ano passado, arrecadando a maior soma desde 2021, à medida que o setor avança em direção à realidade comercial.

Empresas de capital de risco (venture capital) participaram de 43 captações de recursos, de acordo com dados do grupo de mercados privados PitchBook, com US$ 2,3 bilhões (R$ 12 bilhões) investidos.

Investidores vêm se voltando para empresas de fusão nos últimos anos em meio a grandes expectativas de que a tecnologia —que promete energia barata, abundante e livre de carbono— esteja finalmente se aproximando da viabilidade econômica.

Diferente da fissão nuclear, que libera energia ao dividir átomos, a fusão visa replicar a reação que alimenta o sol, gerando energia ao forçar núcleos atômicos a se fundirem sob calor ou pressão extrema.

Embora grande parte do financiamento desta indústria nascente permaneça privada, algumas startups de fusão estão começando a olhar para a bolsa de valores para financiar projetos que agora chegam aos bilhões de dólares.

A General Fusion afirmou no mês passado que buscaria uma fusão empresarial com uma empresa de aquisição de propósito específico em um acordo que avaliaria a empresa canadense em cerca de US$ 1 bilhão, tornando-a a primeira empresa focada exclusivamente em energia de fusão nuclear a ser listada publicamente quando o negócio for fechado, em meados de 2026.

Em dezembro, a TAE Technologies também disse que buscaria uma listagem pública por meio de uma fusão de ações com o Trump Media & Technology Group, avaliando a empresa de fusão em US$ 6 bilhões.

O apetite dos investidores tem se mostrado robusto até agora. O preço do chamado financiamento “Pipe” —dinheiro privado de investidores institucionais levantado como parte de um acordo com empresas de propósito específico— que apoia a General Fusion foi fixado em US$ 12 por ação, 20% acima do preço da abertura de capital.

Os investidores de varejo “adoram qualquer coisa futurista. Então, embora essas empresas estejam muito, muito distantes no futuro, o varejo não tem medo disso”, disse Kristi Marvin, fundadora e CEO da SPACInsider, uma provedora de dados.

Executivos dizem que a dinâmica de financiamento está começando a divergir dentro do setor.

Ally Yost, vice-presidente sênior da Commonwealth Fusion Systems (CFS) —a empresa de fusão mais bem financiada, com cerca de US$ 3 bilhões arrecadados— disse que a indústria está vendo “mais rodadas acontecendo, mas com valores menores” entre os novos entrantes.

No entanto, ela afirmou que, ao mesmo tempo, há uma mudança entre os grupos mais estabelecidos para “fases muito mais intensivas em capital”, à medida que as empresas passam de conceitos em apresentações de slides para a construção de máquinas físicas de elevado valor.

Nenhuma empresa privada de fusão alcançou ainda a fusão comercialmente viável. A maioria das líderes está desenvolvendo dispositivos de demonstração —versões reduzidas de futuras usinas destinadas a provar que sua tecnologia pode produzir mais eletricidade do que consome.

A CFS está construindo um dispositivo pré-comercial e planeja construir sua primeira usina comercial nos EUA no início da década de 2030, de acordo com Yost. A Helion Energy, outra empresa bem financiada, tem como meta suas primeiras vendas de eletricidade até o final de 2028. A General Fusion também está testando um dispositivo pré-comercial.

Apesar de enfrentar desafios de financiamento em 2025, a General Fusion manteve uma abordagem mais cautelosa do que alguns rivais, segundo seu CEO, Greg Twinney. Em vez de fazer “apostas de bilhões de dólares” em uma única máquina, a empresa testou componentes individuais em uma escala menor, uma abordagem que, segundo ele, pode entregar marcos comparáveis com “uma ordem de magnitude a menos de capital”.

Céticos, porém, alertam que a fusão continua sendo uma tecnologia não comprovada, com um longo caminho até a relevância comercial.

“Você tem tecnologias não comprovadas que estão a anos e anos de distância do fluxo de caixa. E elas estão obtendo essas avaliações de preço loucas, loucas”, disse Ted Brandt, fundador e CEO do Marathon Capital, um banco de investimento em energia limpa. “Diga-me como isso pode fazer sentido. Isso significa essencialmente que estamos todos financiando a próxima SpaceX.”

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