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Economia

Spread bancário vai cair gradualmente, avalia ex-presidente do Banco Central

Arquivo Geral

14/04/2009 0h00

Na avaliação do economista Affonso Celso Pastore, try ex-presidente do Banco Central, o spread bancário vai cair, mas dentro de um processo gradativo. “Não espere que, de repente, por um desejo da maioria, o spread caia de  uma hora para outra. Ele não tem essa capacidade”, afirmou hoje (14), em entrevista à Agência Brasil.

Pastore participou do fórum O Brasil que Queremos Ser, promovido pelo projeto Veja nas Universidades, na Fundação Getulio Vargas.


Segundo o economista, há espaço para uma redução do spread no Brasil. e que não se trata de falta de disposição do governo. “O problema é descobrir que tipo de medidas eficazes você tem que tomar para baixar o spread”, disse.


Pastore afirmou que a melhor forma de se combater o elevado spread dos bancos, além de reduzir o compulsório, “é ir tomando medidas  contracíclicas, como for possível. Vai baixando a taxa de juros, vai liberando crédito, vai fazendo esse fundo garantidor de crédito”. O economista avaliou que  as medidas que o Banco Central vem tomando estão na direção correta.


De acordo com o ex-presidente do Banco Central, vários estudos feitos sobre a decomposição do spread indicaram que ele é formado por três componentes principais.


O primeiro é o risco de insegurança jurídica, empréstimos onde a insegurança caiu ao mínimo nível, como é o caso do crédito consignado, e onde ele é muito baixo, como no crédito de automóveis.


Nesses casos,  segundo Pastore, os spreads são menores. Recordou, também, que o spread para pessoas jurídicas, depois da Lei de Recuperação Judicial, ficaram menores do que antes.


Ele explicou que essa componente da insegurança jurídica continua existindo e é muito grande em certo tipo de operações, como cheque especial  e crédito pessoal.


A segunda componente do spread, de acordo com o economista, são compulsórios e impostos. “Aqui, eu acho que o governo pode agir. E está agindo”, disse Pastores.


A terceira componente do spread, que concentra a maior parte das reclamações de empresas e da sociedade, é o lucro dos bancos, informou o ex-presidente do Banco Central. Destacou, contudo, que um fato concreto recente, que foi a crise financeira internacional, provocou uma elevação  muito grande do risco de inadimplência.


“Cresceu o risco porque tem uma crise internacional. E esse aumento do risco de inadimplência produz uma pressão para cima do spread“, afirmou.  Para Pastore, a partir do controle da crise, a expectativa é de redução gradual do spread bancário.

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