O ganhador do Prêmio Nobel de Economia 2001, price Michael Spence, ailment pediu hoje em Londres uma revisão das políticas que favorecem o cultivo dirigido à produção de biocombustíveis em detrimento do destinado à nutrição, devido à atual crise dos alimentos.
“É preciso revisar os programas de biocombustíveis. Caso prejudiquem o abastecimento de alimentos, deve-se reduzir o ritmo de produção, ao menos, por um tempo”, declarou à Agência Efe o economista americano.
Spence falou sobre este assunto na apresentação de um relatório sobre desenvolvimento sustentável divulgado no Real Instituto de Relações Internacionais de Londres (Chatam House), que avalia o aumento do preço dos alimentos.
Segundo o ganhador do Nobel, o uso de biocombustíveis – feitos a partir do cultivo de produtos como a soja e o girassol – só representa uma “pequena contribuição” na luta contra a mudança climática.
Spence não acredita que os benefícios desse combustível renovável no combate ao aquecimento global do planeta “justifiquem seu possível impacto na produção de alimentos”, pois existem outros métodos, com um “uso mais eficiente” da energia. O economista explicou que o abandono temporário desses programas não deve “prejudicar o Brasil”.
No setor, os brasileiros lideram a produção, consumo e exportação de etanol de cana-de-açúcar, embora Spence considere que a força da agricultura do Brasil e a grande demanda mundial de alimentos compensariam as perdas provocadas por uma eventual redução da produção de combustíveis.
Michael Spence também comentou o relatório elaborado pela Comissão de Crescimento, organismo internacional independente criado em 2006 e formado por especialistas e representantes governamentais e empresariais, da qual é presidente.
O documento, chamado de “Relatório de crescimento: Estratégias para o crescimento sustentado e desenvolvimento”, se baseia no acompanhamento de treze economias – entre elas Brasil, China e Coréia do Sul – capazes de crescer mais de 7% durante períodos de mais de 25 anos desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
O texto falou da “ameaça causada pelo aumento dos preços dos alimentos” registrado durante os últimos dois anos e pediu “uma ação rápida para proteger os mais pobres”.
“Apoiamos o que está sendo feito, que é uma ação imediata de emergência para fornecer comida aos pobres para evitar desnutrição, fome ou guerras”, afirmou Spence.
O documento também se pronunciou a favor de “mecanismos de redistribuição para proteger as pessoas mais vulneráveis em relação às mudanças repentinas nos preços”.