A Lei do Salário Mínimo, instituída em 1936 pelo presidente Getúlio Vargas, completa 90 anos nesta quarta-feira (14) e é celebrada pelas principais centrais sindicais do país. Líderes trabalhistas enfatizam seu papel fundamental como referência para categorias sem piso salarial, além de beneficiar aposentados e pensionistas, atuando como um instrumento de distribuição de renda.
João Carlos Gonçalves, conhecido como Juruna e secretário-geral da Força Sindical, recorda as conquistas das centrais para transformar o reajuste do salário mínimo em mecanismo de valorização real. Essa política foi interrompida nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, limitando-se ao INPC, mas resgatada no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora em escala menor. “O reajuste real foi cortado nos governos Temer e Bolsonaro, ficando só o INPC”, afirma Juruna, destacando a importância da retomada.
Ariovaldo de Camargo, secretário de Administração e Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), descreve o salário mínimo como um “colchão” para os trabalhadores, mas insuficiente. Ele defende uma recuperação mais acelerada e a transformação do reajuste real em política de Estado, não apenas de governo. “Após o golpe de 2016, passamos seis anos sem reposição acima da inflação”, avalia Camargo, propondo um mecanismo permanente para uma valorização perene.
Ronaldo Leite, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), reforça que o piso salarial garante minimamente o poder de compra da classe trabalhadora. Embora o governo Lula tenha restaurado a valorização acima da inflação, Leite aponta a perda histórica de poder aquisitivo. Segundo o Dieese, o valor ideal atual seria de R$ 7.106,83. A CTB advoga pela manutenção e ampliação dessa política para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.
Tanto Juruna quanto Leite concordam na necessidade de fortalecer campanhas salariais para elevar pisos, estimular o consumo interno e impulsionar o PIB. As centrais sindicais veem o salário mínimo como pilar para o crescimento econômico e a redução das desigualdades no Brasil.