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Economia

Senado aprova lei de responsabilidade das estatais

Agência Estado

21/06/2016 23h02

Uma semana após a Câmara esvaziar o projeto que busca inibir casos de corrupção e ingerência política nas empresas públicas, o Senado desfez mudanças que haviam sido aprovadas pelos deputados. O texto, aprovado nesta terça-feira, 21, em votação simbólica que durou menos de dez minutos no plenário, segue agora para sanção presidencial.

O projeto teve origem no Senado, foi aprovado na Câmara e voltou para a apreciação dos senadores, já que foram feitas alterações no texto. Com a principal mudança desfeita hoje, ficará proibida a indicação imediata de dirigentes partidários e sindicais para cargos de diretoria das estatais.

Pelo texto aprovado na Câmara na semana passada, o indicado apenas precisaria renunciar ao posto no partido para assumir o novo cargo. Agora, volta a redação inicial, com a exigência de uma carência de três anos entre a atividade partidária do indicado e a nomeação.

No plenário, o relator Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que mudanças propostas pela Câmara comprometiam o caráter proposto pelo projeto. “Algumas dessas emendas, em lugar de aperfeiçoar o texto, garantiriam a continuidade de situações que o projeto teve o claro objetivo de coibir”, disse. A possibilidade de indicações políticas foi o centro do debate sobre as causas do escândalo de corrupção na Petrobras, por exemplo.

O relator – com o aval do plenário – também rejeitou a ampliação do teto dos gastos das estatais com publicidade de 0,5% para 1% da receita bruta das empresas. Os senadores não aceitaram ainda a redução de 25% para 20% a proporção de membros independentes nos conselhos das companhias.

Algumas alterações feitas pela Câmara foram acatadas pelo Senado. Entre elas, a que deixa claro que os requisitos para indicação a cargos de diretoria sejam “alternativos”. Se o indicado, por exemplo, não cumprir a exigência de experiência profissional de dez anos na área de atuação da empresa pública, poderá ter que comprovar, como alternativa, quatro anos em cargo de direção de empresa semelhante.

Foi aceita ainda a permissão de que profissionais liberais possam ser indicados pelo governo. Após a votação, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a rapidez da apreciação. Segundo ele, nenhum parlamentar da nova oposição foi consultado antes da decisão.
Fonte: Estadao Conteudo

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    Arquivo Geral

    15/03/2016 22h14

    O plenário do Senado aprovou o projeto de Lei Geral das Estatais, que estabelece normas de governança corporativa de empresas públicas e sociedades de economia mista. Após diversas negociações, o governo conseguiu afastar do texto a possibilidade de transformação das estatais em sociedades anônimas, mas foi mantido o artigo que impede que ministros participem do conselho administrativo das empresas.

    O texto agora segue para a Câmara dos Deputados. O projeto é mais um ponto coincidente na agenda econômica de interesse do PMDB e PSDB. Com a forte possibilidade de aprovação da matéria, o governo partiu para a negociação. O texto final foi alterado uma hora antes da votação.

    A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o líder do governo, Humberto Costa (PT-PE), elogiaram o acordo costurado com a oposição e com o relator Tasso Jereissati (PSDB-CE). “Todos os riscos que eram levantados, quanto à possibilidade de privatização, foram efetivamente, no meu ponto de vista, retirados”, afirmou Costa.

    Como exemplo, Humberto citou o fim da obrigatoriedade de que todas as empresas estatais fossem transformadas em sociedades anônimas, mas que apenas se submetessem à governança e aos requisitos de transparência e prestação de contas a que as sociedades anônimas e empresas de economia mista se submetem.

    Também foi incluída ao texto a proibição expressa de emissão de ações preferenciais por parte das empresas. De acordo com Costa, os pontos eram de preocupação de movimentos sindicais e alguns setores do governo.

    Divergências

    Um dos pontos controversos no projeto, em que não houve acordo com o governo, foi a constituição dos Conselhos de Administração e diretoria das empresas. O projeto proíbe que ministros e secretários de Estado participem dos Conselhos de Administração, além de dirigentes de partidos políticos, pessoas com cargos em organização sindical e titulares de mandatos no Poder Legislativo, mesmo que estejam licenciados do cargo.

    Apesar dos recursos colocados por senadores da base do governo, o plenário manteve o prazo de dez anos para que as sociedades de economia mistas listadas na bolsa tenha pelo menos 25% de suas ações em circulação no mercado.

    A única emenda que foi aprovada retirou a obrigatoriedade de que, se uma empresa estatal queria fazer a atuação em uma área diferente das congêneres privadas, ela deveria explicitar os custos e as fontes orçamentárias. Um exemplo citado por Tasso é da Petrobras financiar festas de São João. Pelo texto original, havia a necessidade de se divulgar essas despesas. A emenda, derrubada com o apoio do PMDB, não vingou. “As empresas não precisarão explicitar quanto custa”, disse.

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